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07/05/2010 - 10h23

BP aposta em peça gigante para conter vazamento nos EUA

Por Matthew Bigg

VENICE, Estados Unidos (Reuters) - Engenheiros da empresa BP devem baixar na sexta-feira uma enorme câmara metálica de contenção sobre o poço que jorra petróleo no fundo do golfo do México, na esperança de conter o vazamento.

Se tudo der certo, a estrutura, com altura de um prédio de quatro andares, irá direcionar o fluxo de petróleo para um navio na superfície. Mas os técnicos da BP alertam que não será fácil, já que o equipamento nunca foi testado a uma profundidade de quase 1.600 metros.

A mancha de petróleo chegou na quinta-feira a um arquipélago na costa da Louisiana, e já foram vistas aves afetadas.

Cerca de 800 mil litros diários de petróleo jorram por dia no mar desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon, há duas semanas, que matou 11 operários.

Doug Suttles, diretor de operações da BP, empresa dona do poço, disse que a câmara de contenção de 98 toneladas pode entrar em operação na segunda-feira.

Além disso, a empresa está perfurando um poço auxiliar, mas isso deve levar dois a três meses.

Na quinta-feira, o governo dos EUA voltou a pressionar a BP, dizendo que vai obrigá-la a limitar os danos pelo que pode ser o maior vazamento de petróleo na história dos EUA.

Após se reunir com executivos da BP em Houston, o secretário de Interior dos EUA, Ken Salazar, disse que a empresa e seus sócios cometeram "alguns erros muito importantes", e que por isso "sua vida está em jogo aqui".

O vazamento pode provocar uma catástrofe ambiental na costa sul dos EUA, além de graves prejuízos a setores como pesca e turismo. Por causa do acidente, o presidente Barack Obama decidiu rever os planos para autorizar mais projetos de prospecção petrolífera no golfo do México.

O óleo mais pesado continua por enquanto afastado da costa, perto do local do vazamento. Mas o delta do Mississippi e as baías de Breton e Chandeleur estão ameaçadas nos próximos dias, segundo as autoridades.

Leonard Ball, morador da cidade de Biloxi, no Mississippi, disse que pescadores já estão sendo prejudicados pela mancha de óleo em alto mar.

Em Buras, na Louisiana, pescadores vietnamitas e cambojanos, impossibilitados de trabalharem por causa do óleo, queixaram-se à BP de que alguns deles foram excluídos das ofertas de trabalho para as equipes de resgate, por serem apenas marujos, e não donos de barcos.

A previsão para a noite de sábado e manhã de domingo na região é de ventos mais fortes, de 27 a 37 quilômetros por hora, o que pode dificultar as operações de contenção da mancha.

A resseguradora Munich Re alertou na sexta-feira que as indenizações relativas a catástrofes naturais e ao vazamento nos EUA podem ameaçar o cumprimento da sua meta de lucros em 2010.

A maior concorrente da Munich, a Swiss Re, havia dito na quinta-feira que o custo do vazamento para todo o setor será de 1,5 bilhão a 3,5 bilhões de dólares.

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