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10/05/2010 - 17h47

Dólar tem maior queda em 1 ano e meio ante real após pacote europeu

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A resposta da União Europeia à crise de confiança sobre o euro permitiu nesta segunda-feira a maior queda diária do dólar no Brasil em quase um ano e meio, para menos de 1,80 real.

A moeda norte-americana, que encerrou a semana passada em 1,851 real, terminou esta sessão a 1,777 real, em baixa de 4 por cento. É a maior queda percentual diária desde 24 de novembro de 2008, quando a volatilidade do mercado ainda era acentuada por causa da crise imobiliária nos Estados Unidos.

A queda abrupta do dólar aconteceu logo na abertura, repercutindo a aprovação pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de um plano de socorro equivalente a 1 trilhão de dólares.

Parte do dinheiro já foi usada nesta segunda-feira para comprar títulos de governos da região, cuja demanda havia caído muito em alguns países --especialmente na Grécia-- em meio a dúvidas do mercado sobre um possível calote.

Antes do pacote, a incerteza no mercado internacional estimulava investidores a vender reais, comprar dólares e se proteger em ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro norte-americano.

Não-residentes, por exemplo, compraram o equivalente a mais de 8 bilhões de dólares nos mercados futuro e de cupom cambial desde o fim de abril, contribuindo para acelerar a alta da moeda norte-americana.

Mas, nesta segunda, os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA, tidos como referência, perdiam mais de 1 ponto percentual em preço --refletindo queda da demanda.

Além do real, outras moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano se valorizaram. As bolsas de valores dispararam no Brasil, na Europa e nos EUA e o índice de volatilidade despencou mais de 25 por cento.

Apesar do alívio generalizado, o próprio euro --que chegou a superar 1,30 dólar pela manhã-- perdia força no fim do dia e se aproximava da estabilidade, a 1,27 dólar. Para parte do mercado, o pacote apenas diminui a volatilidade da queda do euro no longo prazo .

"Para estar normalizado, o euro teria que estar acima de 1,30 dólar", patamar em que era cotado antes da piora na percepção sobre a Grécia, na semana passada, disse Arnaldo Puccinelli, gerente de mercados financeiros da corretora Terra Futuros.

"Para reduzir esses déficits todos (na Europa), vai ter que haver um ajuste muito forte. Num primeiro momento, as pessoas aceitam, porque é um jeito de tentar solucionar os problemas logo de cara. Mas esse remédio é amargo. Como fica a situação social? Tem muita coisa para vir pela frente".

O Banco Central esperou o final da sessão para realizar um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A operação teve pouco efeito sobre a taxa de câmbio.

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