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12/05/2010 - 15h53

Dilma afirma que Irã "controla armas nucleares"

Em Porto Alegre

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, classificou nesta quarta-feira como "humanitária" a tentativa do Brasil de dialogar com o governo iraniano e chegou a afirmar que a República Islâmica "controla armas nucleares".

"Aborto é violência contra a mulher", diz presidenciável

Para a presidenciável Dilma Rousseff, o aborto é uma "violência contra a mulher" e não uma "questão de foro íntimo", mas sim uma "política de saúde pública". A ex-ministra da Casa Civil foi questionada sobre o tema na manhã desta quarta-feira (12), durante participação no programa Painel RBS, da emissora TVCOM, no Rio de Grande do Sul.

A declaração se choca com a posição do Irã, que nega possuir armas atômicas e afirma que seu programa nuclear visa apenas fins pacíficos.

"O Irã não é uma civilização como a iraquiana. É um país com mais de 70 milhões de habitantes. Controla armas nucleares e tem posicionamento internacional expressivo na região", disse Dilma em entrevista à RBS.

Ela defendeu o uso pacífico da tecnologia. "A tentativa de construir um caminho em que haja o abandono de armas nucleares como armas de agressão e passe a ser pura e simplesmente pacífico (o uso) da energia nuclear é bom para o mundo inteiro", completou.

A pré-candidata declarou que a participação do Brasil em conversações com o governo do Irã ajuda a evitar que o país islâmico se transforme em uma "região conflagrada". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Irã entre os dias 15 e 17 de maio.

"O Brasil não concorda em transformar o Irã em uma região conflagrada", disse a ex-ministra.

Para Dilma, é preciso evitar a experiência de intervenção internacional no Iraque, pois além dos prejuízos aos habitantes locais, existiria uma situação geopolítica mais delicada.

Lideradas pelos EUA, potências ocidentais acusam Teerã de buscar a fabricação de armas nucleares e defendem a aplicação de uma quarta rodada de sanções contra o país persa pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil, que atualmente ocupa um assento temporário no Conselho de Segurança da ONU, é contra a imposição de sanções ao Irã e tem se aproximado de Teerã na tentativa de encontrar uma solução negociada para o impasse.

A Constituição brasileira proíbe a fabricação da bomba atômica. O país tem um programa nuclear para a geração de energia, e, sob o governo Lula, tem procurado ampliar seu papel em assuntos globais.

Críticos da posição brasileira em relação ao Irã afirmam que a República Islâmica tem se aproveitado dessa intenção para ganhar tempo e adiar a imposição de sanções.

Dilma defendeu a postura de Lula de evitar o isolamento do Irã no cenário internacional. Segundo ela, não é bom isolar um país, uma pessoa ou um movimento social. Na sua opinião, é possível estabelecer canais de diálogo e colocar exigências aos iranianos.

"Vamos exigir uma atitude contra o uso de armas nucleares e contra o extermínio de judeus. É uma posição que não concordamos e já manifestamos", disse Dilma, em resposta a uma pergunta sobre o respeito aos direitos humanos no Irã.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nega a existência do Holocausto, em que milhões de judeus foram mortos pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, e já defendeu que Israel deveria ser "varrido do mapa".

Dilma Rousseff está em visita de dois dias ao Rio Grande do Sul.

(Reportagem de Sinara Sandri)

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