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12/05/2010 - 13h31

Novo governo de coalizão britânico promete recuperar economia

Por Estelle Shirbon

LONDRES (Reuters) - O primeiro governo britânico de coalizão desde 1945 apresentou sua equipe ministerial nesta quarta-feira e prometeu acelerar os esforços para reduzir o déficit orçamentário do país, num momento em que a Grã-Bretanha emerge de uma recessão profunda.

Os conservadores do novo primeiro-ministro David Cameron fecharam um acordo de coalizão com os liberais democratas, terceiros colocados na eleição, que visa superar as diferenças ideológicas entre os dois partidos mas que, para críticos, pode causar instabilidade.

A coalizão terá que reduzir um déficit orçamentário que já chega a mais de 11 por cento do PIB. Ela adotou os planos conservadores de cortar 6 bilhões de libras (8,96 bilhões de dólares) em gastos neste ano financeiro, num prazo menor do que o que os liberais democratas desejavam.

"Nenhum outro governo dos tempos modernos já recebeu uma herança econômica tão terrível", disse Cameron em entrevista coletiva ao lado do líder liberal-democrata, Nick Clegg. "Sabemos que temos decisões difíceis pela frente."

Clegg, que é o novo vice-primeiro-ministro, disse que o governo será "radical e reformista" quando necessário e que será uma fonte de estabilidade.

"Em um tempo de dificuldades tão enormes, nosso país precisava de um governo forte e estável", disse ele.

Os planos da coalizão incluem:

-A introdução de uma taxa sobre as operações dos bancos;

-Comissões para investigar a possibilidade de separar as operações bancárias varejistas e de investimentos.;

-A elevação do imposto sobre ganhos de capital não empresariais, para aproximá-lo dos níveis do imposto de renda;

-A adoção de limites à imigração não oriunda da União Europeia.

Fechado na madrugada de quinta-feira, cinco dias após uma eleição inconclusiva, o acordo pôs fim a 13 anos de governo do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, sob Tony Blair e seu sucessor, Gordon Brown.

"Haverá uma aceleração significativa na redução do déficit orçamentário estrutural", disse a jornalistas o novo ministro das Finanças, George Osborne.

Os mercados saudaram o acordo, esperançosos de que um governo comandado pelos conservadores, de centro-direita, tome medidas rápidas para reduzir as dívidas do país. Os títulos de primeira classe a futuros tiveram alta, e a libra esterlina teve performance boa no mercado overnight, perdendo algum terreno depois para manter-se firme com relação ao dólar.

Os conservadores são tradicionalmente vistos como sendo de linha dura com relação à defesa, e as ações do setor tiveram alta de 2,35 por cento no índice FTSE 350.

EQUIPE MINISTERIAL

O ex-vice-líder conservador William Hague é o novo secretário do Exterior, e o ex-ministro das Finanças Ken Clarke vai comandar o Departamento de Justiça. O liberal-democrata Vince Cable, ex-economista, é o novo secretário dos Negócios.

David Cameron, ex-executivo de relações públicas de 43 anos de idade, assumiu como primeiro-ministro depois de Gordon Brown ter reconhecido a derrota dos esforços para forjar um acordo com os liberais democratas. Cameron é o primeiro-ministro britânico mais jovem em quase 200 anos.

Depois da eleição da semana passada, os conservadores formam o maior partido no Parlamento, mas ficaram com 20 cadeiras menos do que seriam necessárias para terem maioria absoluta. Com os liberais democratas, eles terão uma maioria de 76 cadeiras.

(Reportagem adicional de Rhys Jones, Tim Castle, Peter Griffiths, Michael Holden e Adrian Croft)

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