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15/05/2010 - 19h16 / Atualizada 15/05/2010 - 19h16

Brasil e Irã estudam parceria no setor de petróleo--ANP

Por Fernando Exman

TEERÃ (Reuters) - Brasil e Irã devem assinar um memorando de entendimento que poderá viabilizar a participação de empresas brasileiras na modernização do setor de petróleo da República Islâmica, afirmou neste sábado o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima.

Em contrapartida, os iranianos ofereceram ao Brasil sondas para a exploração da commodity, revelou.

O documento foi preparado neste sábado pouco antes de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegar ao país persa para uma visita que durará até segunda-feira. As conversações ocorrem em meio à disputa entre o Irã e potências ocidentais sobre o programa nuclear da República Islâmica.

"Temos equipamentos, engenharia e peças para o setor de petróleo que podem ajudar na modernização deles," disse Haroldo Lima à Reuters, depois de reunir-se com altas autoridades iranianas do setor.

Segundo Lima, os iranianos têm experiência na exploração de petróleo localizado em águas profundas e super profundas, desafio também enfrentado pelo Brasil.

"No Brasil, temos muita carência de empresas que têm a capacidade de fazer a exploração e de ter as sondas. Não há sondas à disposição e elas são caríssimas no mercado internacional," comentou o executivo da ANP. "Eles estão disponibilizando sondas."

De acordo com Lima, os iranianos comentaram ainda que pretendem privatizar algumas refinarias e incentivaram empresas brasileiras a entrar nesses negócios e também a construir mais refinarias no país. O Irã é o quinto maior exportador de petróleo do mundo, mas precisa importar gasolina para abastecer seu mercado doméstico.

O diretor-geral da ANP disse que destacou aos iranianos que o Estado brasileiro também abriu o setor à iniciativa privada no mercado, mas manteve o controle da principal empresa estatal do segmento, a Petrobras.

"Eles disseram que esse também é o ponto de vista deles, mas abriram as portas para o capital brasileiro."

"Tudo isso que eu falei do petróleo vale para o gás natural também," acrescentou, sem dar detalhes.

Lima disse ainda que o Irã tem interesse em ter uma parceria com o Brasil na área de biocombustíveis, uma vez que só têm 5 por cento de etanol misturado na gasolina. No Brasil, complementou o diretor-geral da ANP, esse mix varia entre 20 por cento e 25 por cento.

ENERGIA ELÉTRICA

Outras oportunidades para empresas brasileiras poderá surgir na área de transmissão de energia elétrica, segmento que os iranianos querem aprender com a experiência brasileira.

No domingo, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, conversará com representantes do governo do Irã para ver como se pode avançar em relação aos termos de um memorando de entendimento já assinado entre os dois países.

"A primeira fase do processo passa por um autoconhecimento," disse o ministro à Reuters, acrescentando que fabricantes de equipamentos e empresas do setor de construção podem se beneficiar.

QUESTÃO NUCLEAR

Lideradas pelos Estados Unidos, potências ocidentais acusam Teerã de buscar a fabricação de armas nucleares e defendem a aplicação de sanções contra o país persa pela Organização das Nações Unidas (ONU). O governo de Mahmoud Ahmadinejad nega ter tal intenção, e alega querer a energia nuclear para fins pacíficos.

Em meio à disputa, o Brasil trabalha para que o Irã alcance uma solução negociada com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), depois que os dois lados chegaram a um impasse sobre a troca de urânio iraniano por combustível nuclear já pronto para o uso.

O Brasil, que utiliza a energia nuclear para gerar eletricidade e quer que o Irã tenha o mesmo direito, tenta ganhar espaço na cena internacional ao buscar o papel de intermediário no episódio. A Constituição brasileira veta a construção de armas nucleares.

A iniciativa, entretanto, é vista com ceticismo por setores da opinião pública doméstica e outros países. Potências ocidentais chegaram a dizer que o Irã queria ganhar tempo na disputa ao aceitar iniciar conversações com o Brasil.

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