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16/05/2010 - 16h45 / Atualizada 16/05/2010 - 17h12

Premiê turco vai a Teerã para ajudar Brasil em acordo nuclear

Parisa Hafezi e Thomas Grove
Em Teerã e Istambul

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan viajou a Teerã neste domingo para fechar um acordo de troca de combustíveis nucleares que pode por fim à disputa com o Ocidente sobre o programa nuclear do Irã.

Erdogan se unirá ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no país, que viajou ao Irã para negociar um acordo com autoridades iranianas no que as potências ocidentais e a Rússia consideram a última chance para evitar sanções da contra o Irã.

Um acordo apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em outubro oferecia ao Irã que enviasse 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento --o suficiente para a fabricação de uma bomba se enriquecido no patamar necessário-- para a França e para a Rússia, onde seria convertido em combustível para um reator de pesquisas em Teerã.

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O Irã afirmou na época que só trocaria o seu material por urânio em níveis maiores de enriquecimento e somente no seu próprio território, condições que as outras partes envolvidas no acordo consideraram inaceitáveis.

"Estou indo ao Irã porque uma cláusula será acrescentada ao acordo que diz que a troca será feita na Turquia", disse o premiê.

"Teremos a oportunidade de começar o processo em relação à troca", disse Erdogan. "Eu garanto que encontraremos a oportunidade para superar esses problemas, se Deus quiser."

Lula também disse a jornalistas após reunião com os iranianos que "o nível de esperança (de que se chegará a um acordo) cresceu".

Sanções ainda assombram

Lula se encontrou com Mahmoud Ahmadinejad e a autoridade máxima do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que tem a última palavra para todas as decisões de Estado, como no caso das atividade nucleares do país.

"Os Estados Unidos estão irritados com a proximidade de dois países independentes como o Irã e o Brasil. É por isso que reclamaram tanto antes da sua (Lula) visita ao Irã", declarou Khamenei, segundo a TV estatal.

Na sexta-feira, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que o esforço de mediação de Lula falharia.

O Irã nega acusações do Ocidente de que estaria desenvolvendo armas nucleares sob o pretexto de um programa nuclear civil.

O Brasil e a Turquia, ambos membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, se ofereceram para mediar uma solução para o impasse, no momento em que potências mundiais negociam novas sanções ao Irã.

O Irã declarou que via a mediação de forma positiva.

A nação islâmica começou um enriquecimento maior em fevereiro para produzir combustível para um reator de pesquisa, após as negociações com as grandes potências para uma possível troca de combustíveis terem falhado. A medida aproxima o enriquecimento de urânio no Irã aos níveis necessários para a produção de material para armas --urânio refinado com 90 por cento de pureza.

(Reportagem adicional de Fernando Exman, Tulay Karadeniz e Pinar Aydinli)

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