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24/05/2010 - 11h40

Irã apresenta acordo de troca de combustível nuclear à AIEA

Por Sylvia Westall

VIENA (Reuters) - O Irã apresentou na segunda-feira à agência nuclear da ONU os termos do acordo de intercâmbio de combustível nuclear, mediado na semana passada por Brasil e Turquia. Teerã qualificou o texto como um avanço na resolução da tensão internacional que cerca o seu programa atômico, embora não tenha demovido as potências ocidentais a buscarem novas sanções ao país.

O acordo foi proposto inicialmente pela ONU há seis meses, mas os EUA e seus aliados dizem que a proposta já foi superada pelos acontecimentos - inclusive a ampliação por parte do Irã das suas atividades de enriquecimento de urânio.

Seis grandes potências já definiram novas punições ao Irã - inclusive China e Rússia, que antes relutavam em aceitar uma quarta rodada de sanções ao país. Teerã diz que vai cancelar o acordo se o Conselho de Segurança da ONU aprovar a resolução proposta pelos EUA, possivelmente no mês que vem.

Alguns diplomatas dizem que só haverá acordo se o Irã parar de enriquecer urânio a 20 por cento, atividade que iniciou em fevereiro, alimentando as suspeitas ocidentais de que o país estaria secretamente desenvolvendo armas nucleares. Teerã diz que seu programa nuclear se destina à geração de energia para fins civis.

A proposta mediada por Brasil e Turquia foi entregue na segunda-feira pelo Irã numa reunião de 45 minutos do chefe do seu programa nuclear, Ali Akbar Salehi, com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Yukiya Amano, em Viena.

"O diretor-geral está entregando a carta aos Estados Unidos, França e Rússia para a sua consideração", disse a AIEA em nota.

Pelo plano entregue à AIEA - e como já previa a proposta de outubro - o Irã entregará à Turquia 1.200 quilos de urânio baixamente enriquecido, e no prazo de um ano receberá de volta 120 quilos de urânio enriquecido a 20 por cento, para uso em um reator de pesquisas médicas em Teerã.

Teoricamente, esse intercâmbio seria uma garantia à comunidade internacional de que o Irã não está desviando urânio enriquecido para atividades bélicas. Mas a comunidade internacional diz que, a esta altura, o estoque iraniano de urânio baixamente enriquecido já é bem maior do que 1.200 quilos, e que por isso ainda sobraria muito material para o Irã usar no suposto programa de armas nucleares.

Segundo o canal iraniano de TV Al Alam, a carta de Salehi aponta o acordo como "um importante passo adiante" na solução da crise.

A agência semioficial de notícias Fars declarou que a carta "será o começo de negociações mais detalhadas sobre a troca de combustível, por meio da assinatura de um acordo por escrito."

O Irã diz que, mesmo com o acordo, vai continuar enriquecendo urânio a 20 por cento e além. "Se eles continuarem assim, eu ficaria muito surpreso se este acordo do combustível der em alguma coisa," disse um diplomata ocidental.

Numa declaração que não deve contribuir para acalmar o Ocidente, o embaixador do Irã junto à AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse à Reuters que o eventual intercâmbio de combustível nuclear não restringe de forma alguma a atividade iraniana de enriquecimento. "Não é essa a questão", afirmou.

Turquia e Brasil - membros temporários do Conselho de Segurança da ONU - alegam que o acordo seria motivo suficiente para suspender, ao menos por enquanto, a discussão sobre novas sanções.

Potências ocidentais dizem que o Irã aceitou o acordo apenas para ganhar tempo contra novas sanções.

(Reportagem adicional de Robin Pomeroy em Teerã)

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