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27/05/2010 - 09h04 / Atualizada 27/05/2010 - 09h04

Crise da zona do euro pode afetar exportação--Meirelles

Por Sujata Rao e Carolyn Cohn

LONDRES, 27 de maio (Reuters) - As exportações brasileiras podem ser afetadas como resultado da crise da zona do euro, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. No entanto, ele indicou que o banco pode elevar no próximo mês sua previsão de crescimento para 2010, que é de 5,8 por cento.

Meirelles afirmou que o Banco Central está comprometido com a atual meta de inflação de 4,5 por cento, embora a inflação esteja acima desse nível.

Meirelles também disse que um imposto bancário, que deve ser discutido na reunião de ministros das Finanças do G20 em Seul, seria difícil de ser implementado globalmente.

Ele disse a jornalistas que mesmo que o Brasil esteja mais preparado desta vez para uma crise comparada à de 2008, o país ainda sente algum impacto da crise de dívida da zona do euro.

"As exportações podem cair um pouco para a Europa e outros países que exportam para a Europa", disse Meirelles, falando nos corredores de uma conferência de investidores em Londres. "A crise da zona do euro está definitivamente tendo um impacto."

Porém, ele acrescentou: "Mesmo se ficar tão ruim quanto em 2008, o Banco Central tem todos os instrumentos prontos... o nível de confiança foi testado."

Meirelles disse que a projeção de crescimento econômico do Banco Central para 2010 é conservadora, e que o banco está se preparando para mudá-la em junho. O relatório Focus desta semana mostrou que o mercado projeta que a economia vai se expandir 6,46 por cento neste ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse nesta semana que a economia brasileira pode crescer cerca de 7 por cento em 2010, e alertou sobre o risco de superaquecimento.

"Nossa projeção para (o crescimento em) 2010 é um tanto conservadora. A previsão do mercado é de cerca de 6,5 por cento. Nós vamos atualizar nossa projeção no mês que vem", disse Meirelles.

Mas, questionado sobre o risco de superaquecimento, ele disse: "Nós estamos comprometidos com a meta de inflação para manter uma economia equilibrada, e nós estamos tomando as medidas necessárias".

A inflação está atualmente acima da meta de inflação de 4,5 por cento do BC. Em abril, a inflação alcançou 5,26 por cento em 12 meses, impulsionada, principalmente, pela forte demanda doméstica.

O Banco Central elevou a taxa de juros em 0,75 ponto percentual em abril, da mínima recorde de 8,75 por cento.

O Brasil implementou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para deter o capital especulativo, mas Meirelles estava cético sobre um imposto bancário global, que deve estar na pauta dos ministros das Finanças do G20.

"Eu acho que é algo complexo para implementar globalmente. Nacionalmente, é possível", disse ele. "No Brasil, nós temos um imposto sobre entrada de capital para investidores em carteira. Ele corresponde à sua proposta, mas... é feito sob medida. Um imposto global é uma questão a ser discutida. Como você sabe, o diabo mora nos detalhes", acrescentou.

(Reportagem de Sujata Rao e Carolyn Cohn)

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