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27/05/2010 - 20h45 / Atualizada 27/05/2010 - 20h45

Sobe para 73 total de mortos em confrontos na Jamaica

Por Horace Helps

KINGSTON (Reuters) - Pelo menos 73 pessoas já morreram desde o começo da semana na Jamaica em confrontos envolvendo a polícia e supostos seguidores do traficante Christopher "Dudus" Coke, ameaçado de extradição para os Estados Unidos, disse a polícia nesta quinta-feira.

Moradores de favelas invadidas pela polícia queixaram-se de abusos, e grupos de direitos humanos questionaram se policiais e soldados teriam usado força excessiva e indiscriminada.

A maioria das mortes ocorreu na favela de Tivoli Gardens, reduto de Coke, disse o subcomissário de polícia Glenmore Hinds a jornalistas.

Coke continua foragido. Na madrugada desta quinta-feira, houve tensão no bairro de Kirkland Heights por causa de rumores de que ele estaria escondido na casa de um amigo nessa região de classe média alta.

A polícia invadiu o bairro e houve um tiroteio de duas horas. Keith Clarke, de 58 anos, irmão de um ex-ministro, foi morto aparentemente por uma bala perdida.

A violência na capital da Jamaica começou no domingo, quando um grupo incendiou delegacias em protesto contra a eventual extradição de Coke, indiciado em 2009 em Nova York por tráfico de drogas e armas.

O primeiro-ministro Bruce Golding declarou estado de emergência, concedendo amplos poderes para as forças de segurança restringirem a circulação de pessoas, vasculharem imóveis e deterem suspeitos.

Quatro dos mortos eram policiais e soldados. Os demais eram civis, a maioria homens jovens.

Nesta quinta-feira, a situação em Tivoli Gardens se acalmou, e as forças de segurança permitiram que jornalistas visitassem o bairro, onde as casas tinham marcas de balas e a população se queixava de abusos dos soldados e policiais.

"Atiraram na minha casa e até mataram dois homens na casa ao lado da minha", disse uma mulher. "Também mataram um jovem na minha casa depois de me mandarem para fora", acrescentou um homem.

Muita gente dizia estar faminta, proibida de sair de casa para comprar comida. Outros estavam irritados com o primeiro-ministro, que é deputado por aquela comunidade.

"Ele nos abandonou. Não o queremos mais por aqui de novo. Ele nos traiu", gritava uma mulher.

A Anistia Internacional exigiu uma investigação minuciosa, e estranhou que apenas seis armas tenham sido apreendidas, "número bastante baixo em comparação ao número de mortos."

A entidade disse que a polícia jamaicana tem um histórico de violência, e sugeriu que podem ter ocorrido execuções extrajudiciais. A polícia da Jamaica, uma ilha de 1,3 milhão de habitantes, matou 253 pessoas em 2009, número semelhante ao de anos anteriores.

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