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28/05/2010 - 14h58 / Atualizada 28/05/2010 - 14h58

Lula defende papel do Brasil no acordo com Irã

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em um discurso duro na abertura do 3o Fórum Mundial de Aliança de Civilizações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que o Brasil manterá seus esforços pela paz no Oriente Médio. Fez também duras críticas ao comportamento dos países desenvolvidos durante e após a crise financeira mundial.

"O mundo precisa de um Oriente Médio em paz. O Brasil não está alheio a essa necessidade. Defendemos um planeta livre de armas e o cumprimento do Tratado de Não-Proliferação (Nuclear)", disse Lula na abertura do evento.

O presidente lembrou que recentemente esteve no Irã com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, onde mediaram um acordo de troca de combustível nuclear com Teerã. No entanto, o acordo não impediu que potências ocidentais, que suspeitam que o Irã busca armas atômicas, seguissem pressionando por novas sanções ao país.

"Esse é um conflito que ameaça muito mais a estabilidade de uma região importante do planeta... acreditamos que a energia nuclear deve ser um instrumento para promoção do desenvolvimento, e não uma ameaça", disse.

Para Lula, as armas nucleares deixam o mundo mais inseguro e os arsenais são peças ultrapassadas e obsoletas de um tempo que ficou para trás.

O presidente foi duro ao falar dos países desenvolvidos que, para ele, resistem a promover mudanças que dêem maior protagonismo ao mundo em desenvolvimento após a crise financeira global.

"A crise financeira que se abateu sobre todos mostrou o quão necessário será contar com organizações multilaterais poderosas, à altura de um mundo cada vez mais diverso e multipolar. Mas constatamos grande resistência à mudança", disse.

"Incapazes de assumir seus próprios erros, alguns governantes buscam transferir o ônus da crise para os mais fracos. Adotam medidas protecionistas que oneram bens e serviços e, ao mesmo tempo, se mostram lenientes com os paraísos fiscais, responsabilizam imigrantes pela crise social. A comunidade internacional precisa reagir", disse.

Lula também atacou a tese de que está em curso um choque entre as civilizações ocidental e islâmica, justamente a ideia que o Fórum Mundial de Aliança de Civilizações tenta combater.

"Essas teorias são criminosas quando utilizadas como pretexto para ações bélicas ditas preventivas. O Brasil aposta num entendimento que faz calar as armas, investe na esperança que supera o medo. Faz da política econômica e social sua única e melhor arma."

Já o premiê turco afirmou que as potências nucleares deveriam eliminar suas próprias armas atômicas para ajudar nas negociações para a paz mundial.

"Ouvimos pessoas falando sobre impedir que o Irã consiga armas nucleares, mas quem fala contra essas armas têm armas nucleares", disse Erdogan, que recebeu aplausos da plateia.

"Não conseguiremos ter paz mundial com a proliferação de armas nucleares no planeta", acrescentou.

Para ele, sem esse gesto das potências nucleares, qualquer argumentação contra o país persa fica fragilizada. "Quem fala disso deveria eliminar as armas nucleares de seus próprios países... essa é a única forma de serem convincentes", ponderou.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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