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31/05/2010 - 09h18 / Atualizada 31/05/2010 - 09h18

Ao menos 10 morrem em ataque israelense a navios de ajuda

Por Jeffrey Heller e Alastair Macdonald

JERUSALÉM (Reuters) - Comandos militares israelenses atacaram um comboio que levava ajuda à Gaza nesta segunda-feira e mais de 10 dos ativistas a bordo, a maioria estrangeiros, foram mortos. O episódio provocou uma crise diplomática e acusações de "massacre" feitas por palestinos.

O fim violento para a tentativa apoiada pela Turquia de romper um bloqueio imposto à Faixa de Gaza realizada por seis navios com cerca de 600 pessoas a bordo e 10 mil toneladas de suprimentos provocou condenação dentro e fora do Oriente Médio.

Enquanto a Marinha escoltava os navios para o porto israelense de Ashdod, os relatos da intercepção realizada no fim da madrugada seguiam incompletos. Fuzileiros navais invadiram os navios por botes e helicópteros. Israel disse que "mais de 10" ativistas morreram. A imprensa israelense falou em 19 mortos.

As mortes provocaram protestos nas ruas e a ira do governo turco, que apoiou o comboio. Ancara chamou de volta seu embaixador em Israel e o presidente turco, Abdullah Gul, exigiu a punição dos responsáveis.

A União Europeia pediu uma investigação sobre o episódio e França e Alemanha afirmaram estarem "chocadas". A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a violência contra civis em águas internacionais.

Autoridades israelenses disseram que os fuzileiros navais foram recebidos a tiros e que ativistas carregavam facas quando os militares chegaram aos navios, um deles de bandeira turca.

"Será um grande escândalo, não há dúvidas quanto a isso", disse o ministro do Comércio israelense, Binyamin Ben-Eliezer, à Reuters.

Há três anos Israel impôs um bloqueio à Gaza, região controlada pelo grupo islâmico Hamas.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse: "O que Israel cometeu a bordo do Freedom Flotilla foi um massacre", disse. Ele declarou três dias de luto oficial pelos mortos.

O vice-chanceler israelense, Danny Ayalon, culpou os ativistas pela violência e os classificou de aliados dos inimigos islâmicos de Israel Hamas e Al Qaeda. Segundo Ayalon, se os ativistas tivessem chegado a seu destino, teriam aberto uma rota de contrabando de armas para Gaza.

Não se cogita amenizar o bloqueio a Gaza, acrescentou.

Em comunicado, as Forças Armadas israelenses informaram que, além dos mortos, vários ativistas e cinco soldados ficaram feridos.

As interferências nos sinais de rádio realizadas por Israel e a censura militar impediram a apuração independente do que ocorreu no oceano.

A televisão turca mostrou um vídeo que aparentemente mostra um comando israelense descendo em um corda e entrando em confronto com um homem carregando um porrete.

Já a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado.

As forças israelenses estavam em alerta máximo nas fronteiras com Gaza, Líbano e Síria, assim como ao redor de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada e em áreas do norte de Israel onde vive a maior parte da população árabe do país.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está em Ottawa. Autoridades afirmam que ele está considerando se cancela ou não uma visita à Casa Branca marcada para terça-feira, onde deve encontrar o presidente norte-americano, Barack Obama.

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