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31/05/2010 - 17h21 / Atualizada 31/05/2010 - 17h21

Ataque de Israel a navios é criticada por amigos e inimigos

Por Cynthia Johnston

DUBAI (Reuters) - A invasão israelense de uma flotilha de ajuda humanitária com destino a Gaza causou furor diplomático, suscitando críticas dos países amigos e inimigos e tensionando os laços de Israel com a Turquia, aliada regional, que cancelou a realização de exercícios militares conjuntos já programados.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma sessão de emergência para segunda-feira depois da morte de 9 pessoas, na maior parte ativistas internacionais, a bordo do comboio de seis embarcações que tentava furar o bloqueio de Israel a Gaza.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que lamentava profundamente a perda de vidas e pediu que se informasse de todos os fatos sobre o incidente o mais rápido possível, informou a Casa Branca.

Em um telefonema a Netanyahu, Obama também disse que compreendia a decisão do primeiro-ministro de cancelar a reunião na Casa Branca marcada para terça-feira a fim de voltar antes de uma viagem ao Canadá, e os dois concordaram em remarcar o encontro "na primeira oportunidade".

"O presidente expressou profundo pesar pela perda de vidas no incidente de hoje e preocupação com os feridos", disse a Casa Branca. "O presidente também expressou a importância de conhecer todos os fatos e circunstâncias cercando os trágicos eventos desta manhã o mais rápido possível."

Netanyahu disse a jornalistas no Canadá: "Lamentavelmente, nesse confronto, ao menos 10 pessoas morreram. Lamentamos essa perda de vidas". Depois, o Exército israelense disse que um total de 9 ativistas pró-Palestina foram mortos.

A Turquia, o mais poderoso aliado muçulmano de Israel na região, convocou o embaixador israelense e disse que chamaria o seu ao país.

"Essa ação, totalmente contrária aos princípios da lei internacional, é um desumano terrorismo de Estado. Ninguém deve pensar que ficaremos calados diante disso", disse Erdogan a jornalistas no Chile, onde abreviou uma visita oficial à América Latina por causa da crise.

Comandos israelenses interceptaram a flotilha levando 700 pessoas e 10 mil toneladas de suprimentos para Gaza antes do alvorecer na segunda-feira. Oficiais disseram que eles foram recebidos com facas ao embarcarem nos navios, que incluíam uma balsa ostentando a bandeira turca.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, descreveu as mortes como um massacre e tanto a ONU quanto a União Europeia pediram uma investigação. O grupo de direitos humanos Anistia Internacional disse que aparentemente as forças israelenses usaram de força excessiva.

A Turquia, que havia pedido que Israel autorizasse a passagem em segurança das embarcações, cancelou uma operação planejada de exercícios militares conjuntos com Israel.

"Israel terá de aguentar as consequências desse comportamento", disse o Ministério das Relações Exteriores da Turquia em um comunicado.

Imagens de televisão provenientes de Ancara mostraram dezenas de pessoas reunidas diante da residência do embaixador israelense Gabby Levy na capital da Turquia. As relações do país com Israel já estavam de alguma forma prejudicadas depois de críticas feitas pela Turquia a Israel.

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, afirmou que a violência não tinha justificativa. "Estou profundamente chocado pelas trágicas consequências da operação militar israelense contra a Flotilha da Paz para Gaza", disse ele em um comunicado.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou: "É vital que haja uma completa investigação para determinar exatamente como ocorreu esse derramamento de sangue. Acredito que Israel deva fornecer com urgência uma explicação completa."

IRÃ CHAMA ATAQUE DE DESUMANO

O Irã, um dos maiores inimigos de Israel, disse que as mortes eram "desumanas" e que colaboraria com o fim do Estado judeu. Cerca de 200 iranianos participaram de um protesto perto do prédio da ONU em Teerã contra o incidente.

"Todos estes atos indicam o fim do abominável e falso regime e deixará mais perto o fim de sua existência", disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad à emissora estatal Irib. O Irã está sob pressão internacional por seu programa nuclear.

No mundo árabe, o incidente foi visto como uma reação excessiva a uma tentativa de desafiar o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, que poderá frear quaisquer esforços de normalizar a situação e afetar o processo de paz.

"O ataque de Israel indica que Israel não está pronto para paz. Israel atacou a frota da paz porque se sente acima da lei", disse o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.

"Não há benefício em lidar com Israel desta maneira e devemos reavaliar nossa conduta com Israel", afirmou.

A Liga Árabe, que endossou as conversas de paz indiretas entre a Autoridade Palestina e Israel, iniciadas no mês passado, pediu por uma reunião de emergência na terça-feira para discutir a violência, apesar de analistas estimarem que não haverá decisões fortes.

O Egito, primeiro país árabe a assinar um acordo de paz com Israel, convocou o embaixador israelense no país.

(Reportagem adicional de Jeffrey Heller em Jerusalém, Ibon Villelabeitia em Ancara, Marwa Awad e Alex Dziadosz em Cairo, Ramin Mostafavi em Teerã, James Mackenzie em Paris, Yara Bayoumy em Beirute, Tamara Walid em Dubai e Khaled Oweis em Damasco)

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