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06/06/2010 - 18h23 / Atualizada 06/06/2010 - 18h23

Hillary Clinton tenta melhorar relações complicadas com a AL

Por Andrew Quinn

WASHINGTON, 6 de junho - (Reuters) - A secretária de estado norte- americana, Hillary Clinton, começou no domingo uma viagem à América Latina para tentar melhorar as relações estremecidas com o continente, apesar dos conflitos gerados pela posição do Brasil em relação ao Irã.

Clinton visitará o Peru para uma reunião com a Organização dos Estados Americanos (OEA) e depois irá ao Equador, Colômbia e Barbados.

A administração de Obama tem tentado desfazer a má impressão na América Latina sobre as promessas de cooperação dos EUA, que, assim como as promessas de melhorar o tratamento dado o Cuba e o plano de rever as leis de imigração, acabaram não se materializando.

"A expectativa na região estava bem distante da realidade e deu lugar a uma certa decepção e cinismo", disse Eric Farnsworth, vice-presidente do Council of the Americas (Conselho das Américas).

"Alguns desses pontos são extremamente difíceis e não vão acontecer de uma hora para a outra", ele disse. "A secretária vai tentar mostrar a situação de forma mais abrangente."

Os laços entre o Brasil e os EUA ficaram estremecidos por causa das possíveis novas sanções impostas pela ONU a Teerã, e que os EUA esperam que sejam votadas pelo conselho de segurança da ONU ainda essa semana. O Brasil, assim como a Turquia, querem mais tempo para tentar uma saída diplomática.

Os dois lados dizem que o problema do Irã é apenas uma parte de um amplo e crescente relacionamento entre os EUA e o Brasil. Mas a questão colocou os EUA em uma posição publicamente contrária a do Brasil, considerado atualmente o país de maior força política na América Latina e que está buscando um lugar no cenário mundial.

A viagem de Clinton, a segunda à região em três meses, pretende reafirmar o compromisso de Washington com a América Latina em todos os sentidos, desde a guerra contra o tráfico de drogas, à promoção do comércio regional.

Mas as diferenças podem surgir durante a reunião da OEA no Peru, especialmente sobre a questão de se readmitir ou não Honduras, depois do golpe de 2009, que derrubou o então presidente, Manuel Zelaya.

Os EUA ajudaram a intermediar as eleições de novembro, que colocaram o Presidente Porfírio Lobo no poder e dizem que sua administração deve ser reconhecida pela OEA. Brasil e Argentina se opõem, argumentando que seu governo ainda se baseia em um golpe de Estado.

"Ainda existem alguns países que acreditam que Honduras devem tomar medidas adicionais, o que difere da posição dos EUA", disse Arturo Valenzuela, secretário de Estado adjunto.

Apesar do foco ser a América Latina, certamente o Irã encontrará espaço na agenda de Clinton. Os EUA estão lutando por novas sanções da ONU, dizendo que as violações do Irã em relação às suas obrigações nucleares não deixam dúvidas que eles estão buscando criar armas atômicas, uma acusação que Teerã nega.

Mas o Brasil e a Turquia, ambos membros não-permanentes do Conselho da ONU, procuraram reavivar um acordo sobre combustível nuclear para Teerã, declarando que as sanções devem ser evitadas.

Os EUA chegaram a um frágil consenso com os outro quatro membros permanentes, com direito a veto do Conselho de Segurança --Grã-Bretanha, França, Rússia e China-- e diz que o acordo do combustível deixa de atender às principais preocupações em relação às ambições nucleares do Irã.

Mas um confronto no Conselho de Segurança com dois dos países em desenvolvimento mais influentes sobre o Irã, pode enfatizar os limites da influência dos EUA para com até mesmo potências emergentes amigas, como o Brasil.

"Os EUA ainda não conseguiram digerir o fato de que hoje o Brasil está num caminho irrevogável de independência no que tange a política externa", disse Larry Birns, diretor do Conselho de Assuntos Hemisféricos, em Washington.

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