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10/06/2010 - 20h29 / Atualizada 10/06/2010 - 20h46

Marina quer ser primeira mulher negra no Planalto

Por Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - Em uma convenção nacional que não mobilizou um grande número de militantes em comparação aos seus adversários, a senadora Marina Silva formalizou nesta quinta-feira a sua candidatura à Presidência da República pelo PV dizendo querer ser a "primeira mulher negra de origem pobre" a ocupar o Palácio do Planalto.

Marina, em terceiro lugar nas pesquisas, reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a manutenção da estabilidade econômica. Vestida com suas costumeiras roupas simples e sóbrias, Marina destacou que o país ainda precisa corrigir erros.

Durante o evento, o partido também oficializou a indicação para a vaga de vice na chapa do empresário Guilherme Leal, fundador e copresidente licenciado do Conselho de Administração da Natura.

"Temos ainda um país que dilapida o seu imenso patrimônio natural", afirmou a candidata em um discurso pontuado com emoção por passagens de sua dura história de vida.

Ex-ministra do Meio Ambiente, ela citou ainda a desigualdade de oportunidades entre pessoas ricas e pobres, a inexistência de uma educação de qualidade que alavanque a economia e a inovação tecnológica e a falta de infraestrutura e segurança nas cidades. Marina também defendeu o que chamou de "programas sociais de terceira geração", os quais, além de reduzir as desigualdades sociais, potencializariam a criação de oportunidades de empregos para os assistidos.

"É sair do Estado provedor, que faz as coisas para as pessoas, para o Estado mobilizador, que faz as coisas com as pessoas."

No entanto, a candidata, que tenta se consolidar como uma terceira via e evitar a confirmação da tese de que haverá uma eleição plebiscitária entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) em outubro, elogiou realizações dos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus antecessores. No seu entender, eles tiveram papel importante para a consolidação da democracia, a estabilidade econômica, o controle da inflação e a redução da pobreza.

"Não vamos aceitar o veredicto do plebiscito. Não há veredicto. Ele vai ser revogado pelo povo brasileiro", sentenciou a senadora, sendo aplaudida pelos presentes.

A convenção, que tocou por diversas vezes um jingle com a expressão "sou marineiro", também destacou o slogan da campanha de Marina --"Juntos pelo Brasil que queremos". No final de seu discurso, Marina brincou com o silêncio que tomou a plateia por várias vezes. Disse que, diferentemente da simples torcida que ocorre normalmente em convenções partidárias, isso significava que as pessoas estavam refletindo sobre sua fala.

DESAFIOS E CONSTRANGIMENTO

No entanto, a campanha de Marina enfrentará diversos desafios nos próximos meses. Sem formar uma coligação com partidos aliados, Marina terá apenas cerca de um minuto de propaganda eleitoral de rádio e televisão, muito menos que Serra e Dilma, líderes nas pesquisas de intenção de voto.

Não bastasse, contará com uma campanha mais modesta que os concorrentes. Durante a convenção, o PV fixou em 90 milhões de reais o limite de gastos.

Isso tudo se refletirá nos Estados, onde Marina não terá palanques fortes em diversas localidades. Por enquanto, o PV só tem candidatos ao governo em aproximadamente 15 das 27 unidades da federação.

"É um desafio a gente encontrar pessoas, mesmo que não sejam muito conhecidas, com um discurso coerente para levar a palavra do partido", comentou à Reuters Alfredo Sirkis, vice-presidente do PV e vereador do Rio de Janeiro.

Marina, entretanto, minimizou o problema e disse não querer alianças com políticos que buscam interesses pessoais sem ouvir a população.

"Não temos esse tipo de alianças, mas queremos fazer alianças com os núcleos vivos da sociedade."

A convenção nacional do PV também teve lugar para um momento constrangedor. Um comediante vestido de palhaço invadiu o palco do evento e passou a fazer piadas depreciativas sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), sobre o chamado escândalo do mensalão do PT e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Por alguns instantes, pareceu que o palhaço fazia parte do cronograma da convenção. Mas repentinamente a organização do evento passou a tocar o jingle da campanha de Marina e o invasor foi retirado do palco por dois seguranças. Marina e a direção do PV não esboçaram sorrisos, mas a plateia protestou quando o breve espetáculo acabou.

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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