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10/06/2010 - 14h50 / Atualizada 10/06/2010 - 14h50

Para Rússia, sanções não impedem venda de mísseis a Irã

Por Dmitry Solovyov

MOSCOU (Reuters) - O Ministério de Relações Exteriores da Rússia disse nesta quinta-feira que as novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã por conta do seu programa nuclear não obriga Moscou a acabar com o contrato de fornecimento de mísseis terra-ar para o Irã.

A decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas - com apoio do Kremlin - de adotar uma quarta rodada de sanções contra o Irã levantou uma série de dúvidas sobre o futuro do contrato para a venda de mísseis S-300 para Teerã, um inimigo dos Estados Unidos e de Israel.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Andrei Nesterenko deu declarações após a agência de notícias Interfax ter publicado reportagem citando fontes não identificadas da indústria bélica russa afirmando que Moscou iria congelar a venda dos S-300 por conta da decisão da ONU.

"A decisão do conselho de segurança da ONU deve ser seguida por todos os países e a Rússia não é exceção", disse uma fonte não identificada à Interfax. "Naturalmente, o contrato para vender os mísseis S-300 será congelado."

Mas Nesterenko disse que a venda de sistemas de mísseis portáteis, como armas que podem ser apoiadas no ombro para disparar mísseis, são as únicas que estão proibidas de serem vendidas por conta das sanções.

"Armas para a defesa do espaço aéreo, com exceção de sistemas de mísseis portáteis, não estão incluídas no registro de armas convencionais das Nações Unidas que rege a resolução sobre o Irã", disse.

ESTRATÉGIA DE BARGANHA

O apoio do Kremlin a novas sanções contra o Irã foi acompanhado por repetidas garantias de dirigentes russos de que as medidas não iriam afetar a venda dos S-300.

Diplomatas em Moscou chegaram a dizer que a Rússia queria manter o acordo como uma carta na manga com Teerã e com as potências ocidentais que buscam controlar a atividade nuclear do Irã, que eles acusam de estar focada na produção de armas atômicas.

Se a resolução da ONU proibisse a venda dos S-300, isso seria uma significativa concessão de Moscou para o Ocidente, além de ter o potencial de complicar ainda mais as relações entre russos e Teerã, que acusou Moscou de atrasar a entrega dos mísseis.

A Rússia tem trabalhado duro para minimizar as sucessivas rodadas de sanções contra o Irã, dizendo que punições dificilmente funcionem. Mas a estratégia de Moscou foi enfraquecida por Teerã, pela recusa em apresentar todos os detalhes sobre o programa nuclear.

Diplomatas dizem, em caráter privado, que os líderes do Kremlin foram ludibriados várias vezes enquanto tentavam fazer os líderes iranianos cooperarem.

(Reportagem adicional por Guy Faulconbridge e Steve Gutterman)

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