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10/06/2010 - 19h42 / Atualizada 10/06/2010 - 19h42

Seleção de Dunga prioriza o grupo, mas quem vai ser a estrela?

Por Pedro Fonseca

JOHANESBURGO (Reuters) - A seleção brasileira vai estrear na Copa do Mundo dentro de cinco dias sem saber a quem recorrer para definir uma partida no momento decisivo. Com o repetitivo discurso de que o grupo é o mais importante, nenhum jogador assumiu a condição de estrela, deixando uma lacuna que não existia nas cinco vezes em que o Brasil conquistou o título mundial.

A seleção, que costumava ter atacantes decisivos em Mundais, como Pelé, Jairzinho, Romário e Ronaldo, dessa vez chega à África do Sul com os defensores Lúcio e Maicon e o goleiro Julio César como os jogadores de maior cartaz no futebol mundial. Uma indicação de que o ataque brasileiro não assusta mais como no passado.

Com títulos e prêmios importantes no currículo, Kaká é o nome que surge naturalmente como principal referência da equipe, mas a má temporada que teve pelo Real Madrid coloca em dúvida as condições do camisa 10 para o Mundial. Seguidas lesões limitaram seu tempo em campo nos meses que antecederam a Copa, e o próprio jogador se incluiu como "mais um líder" dentro do time quando questionado sobre a responsabilidade de comandar a seleção.

"Responsabilidade nunca foi um problema para mim, mas no futebol você não ganha nada sozinho. Todas as conquistas que eu tive foi porque fazia parte de grandes equipes", afirmou Kaká quando perguntado se estava preparado para ser o líder do Brasil na Copa pela primeira vez, após o papel de coadjuvante nos Mundiais de 2002 e 2006.

O artilheiro da seleção sob o comando de Dunga é Robinho, jogador que teve que voltar ao Santos no começo do ano para atuar com regularidade após amargar a reserva no Manchester City, enquanto o novo camisa 9 do time, Luís Fabiano, está há mais de nove meses sem balançar as redes pelo Brasil.

"PEÇA IMPORTANTE"

Doutrinados pelo treinador, que prega o amor pela seleção como lema de seu trabalho, todos os jogadores sempre exaltam o coletivo como mais importante que o reconhecimento pessoal. Tal postura, no entanto, deixa sem resposta a pergunta: "Quem será a estrela do Brasil na Copa?"

"Não me preocupo se tem ou não tem uma estrela, o que espero é que o grupo da seleção seja melhor e conquiste o nosso objetivo que é o titulo", disse nesta quinta-feira o meia Elano. "Em nenhum momento eu me preocupo em ser a estrela. Eu me preocupo em ser uma peça importante aqui na seleção brasileira."

A falta de um jogador de decisão pode ser consequência da derrota brasileira nas quartas-de-final da Copa passada, quando um time recheado de estrelas não cumpriu a expectativa. O atacante Ronaldo nunca teve chance com Dunga, enquanto Ronaldinho e Adriano, que poderiam assumir esse papel na atual equipe, desperdiçaram as que tiveram.

Sem nomes de peso no ataque, a maior força da seleção parece estar na defesa, liderada pelo trio campeão da Europa com a Inter de Milão Julio César, Maicon e Lúcio, esse último o capitão da equipe e que exerce uma liderança forte dentro de campo.

No entanto, o título da Liga dos Campeões conquistado por eles só foi possível também graças a dois gols na final marcados por Diego Milito, da rival Argentina, que nesta Copa tem homens de decisão a escolher: Lionel Messi, Carlos Tevez e Milito.

No caso do goleiro Julio César, considerado um dos melhores do mundo na posição, há receio quanto a sua forma física. O titular da seleção brasileira sofreu uma lesão no amistoso da semana passada contra o Zimbábue que o deixou de fora do jogo de segunda-feira contra a Tanzânia -- a primeira vez em dois anos que o Brasil jogou sem ele no gol.

A comissão técnica garante que ele está recuperado para a estreia contra a Coreia do Norte, mas ele ficou quase uma semana treinando em separado e passando por fisioterapia intensiva.

Mesmo sem esse homem de referência, a seleção de Dunga começa a Copa como líder do ranking mundial e tendo vencido as principais competições que disputou -- Copa América, Copa das Confederações e eliminatórias. Jogadores diferentes se destacaram pela seleção nesses torneios, e mais uma vez a confiança do treinador está no grupo.

"Todos os 23 jogadores têm condição de jogar e confio plenamente em todos eles. Se um não jogar, eu escolho o outro", afirmou Dunga.

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