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11/06/2010 - 16h48 / Atualizada 11/06/2010 - 17h21

Serra deve seguir sem vice após convenção do PSDB; DEM pressiona

Por Natuza Nery e Carmen Munari

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O ex-governador José Serra será aclamado neste sábado candidato do PSDB à Presidência sem ter a seu lado a figura que completa a foto da campanha: o vice em sua chapa.

Dificuldades de composição política e a esperança recentemente enterrada de ter o mineiro e companheiro de partido Aécio Neves como seu parceiro formal levaram a definição para depois do dia 20 de junho.

A escolha do nome seguirá roteiro oposto ao trilhado por sua adversária do PT, Dilma Rousseff. Foi o PMDB quem submeteu o nome de Michel Temer (PMDB-SP) como única opção à dobradinha. A ex-ministra, que não via o parlamentar como parceiro ideal, teve de acatar a indicação. Foi um dos preços para obter o dobro de seu tempo original de TV.

Com Serra, é diferente, dizem membros do partido e de sua campanha. Será o tucano quem apresentará sua opção aos partidos aliados.

"Só uma pessoa terá apito nesse processo: Serra", disse um integrante do PSDB sob condição do anonimato.

A roupa de vice já vestiu mais de uma dezena de manequins do DEM, PSDB, PPS e PP. Até agora, nenhum foi confirmado.

O senador Francisco Dornelles (RJ) chegou a ser o mais desejado deles. Presidente do PP, traria adicionais 90 segundos de TV, tempo necessário para quase equilibrar a vantagem de Dilma no tamanho de sua propaganda eleitoral gratuita.

Mas Dornelles avisou a seus cortejadores tucanos que a legenda --aliada ao governo e titular do Ministério das Cidades-- deve mesmo optar pela neutralidade.

Ser do Nordeste é um valor que vem sendo muito considerado, como forma de elevar os índices de intenção de votos na região que hoje pende fortemente para Dilma.

Há duas alternativas viáveis com esse perfil: o presidente do próprio PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Aleluia, a quem Serra aprecia, daria fôlego ao candidato no maior colégio eleitoral da região, mas não tem, inicialmente, o apoio global de sua legenda.

"Ele é do Nordeste, fala bem, é jeitoso, brigador e tem um nome que é feito para o palanque", disse à Reuters José Gregori, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, atual secretário de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo e amigo pessoal de Serra.

Sérgio Guerra tem a estima de Serra e uma boa relação com ele. Sua cotação ganhou força nos últimos dias. O problema é que ele é coordenador da campanha e considerado peça importante nesse papel.

Outros nomes entraram, saíram ou ainda permanecem na lista mesmo que com chances mínimas. O senador José Agripino (DEM-RN) foi cogitado, mas disse preferir a disputa ao Senado, onde tem uma reeleição relativamente tranquila.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é citado como possibilidade nos bastidores, enquanto o colega Tasso Jereissati (PSDB-CE), que também integrou esse ranking, tem chances próximas de zero, asseguram tucanos.

DEMOCRATAS PROTESTAM

O Democratas, aliado preferencial dos tucanos, pressiona pelo posto. Diziam no passado só abrir mão do "direito" se Aécio aceitasse a vaga. Sem ele, porém, consideram-se donos naturais da vaga.

O problema é que setores da campanha tucana resistem em pinçar um nome originário de lá. A crise do mensalão do Distrito Federal deu discurso a esse grupo. Por isso a tese da chapa pura encontra tanto abrigo.

"Nós dependemos deles, mas eles também dependem de nós. Nós marcamos nossa convenção para o último dia de junho. Você acha que isso foi por acaso?", disse um importante democrata sob condição de não ser identificado.

Mesmo com a ameaça dissimulada, muito pouca gente acredita que o partido decidiria não participar da coligação de José Serra. O Democratas está em crise e vem diminuindo de tamanho a cada eleição. O PSDB, portanto, é a única âncora que tem por ora.

(Edição de Alexandre Caverni)

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