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16/06/2010 - 21h21 / Atualizada 16/06/2010 - 21h21

Funcionários temem pelo futuro da Globovisión na Venezuela

Por Patricia Rondón Espín

CARACAS (Reuters) - Foi um momento raro no telejornalismo: um âncora preocupado, inquirindo um dos patrões sobre como ficam os salários dos 400 funcionários da Globovisión depois das recentes medidas do governo venezuelano contra a emissora.

A Globovisión atrai a ira do governo de Hugo Chávez porque é o último reduto de oposição editorial à "revolução socialista" em curso no país. Na sexta-feira, autoridades decretaram a prisão do empresário Guillermo Zuloaga, principal acionista do canal, sob acusação de crimes financeiros.

O governo nacionalizou na segunda-feira um banco pertencente a outro sócio da emissora, citando problemas de liquidez e risco de fraude. Esse banco é responsável pela folha de pagamentos da Globovisión, o que deixou muitos empregados preocupados com seus salários.

Críticos dizem que Chávez está mergulhando a Venezuela no autoritarismo, coibindo discordâncias e prejudicando a economia ao nacionalizar amplos setores. Seguidores dizem que ele governa para os mais pobres e está sendo vítima de uma campanha difamatória promovida pelos EUA.

Na Globovisión, o clima na redação é sombrio, apesar do breve alívio oferecido pela Copa do Mundo.

"Estou muito afetada, pessoalmente muito preocupada. Esta é a minha única renda, e o meu marido também trabalha aqui", disse a jornalista econômica Adriana Salazar, 35 anos.

Depois da ordem de prisão, Zuloaga está foragido. Seu sócio Nelson Mezerhane, que era dono do nacionalizado Banco Federal, está no exterior.

Quando Mezerhane ligou para a emissora para contestar a medida contra o banco, o veterano apresentador Leopoldo Castillo aproveitou para perguntar se ele e seus colegas receberão seu próximo salário.

Mezerhane assegurou que sim, ao menos nos próximos 12 meses.

Funcionários da Globovisión disseram que venezuelanos que se exilaram do país estão oferecendo contribuições financeiras para pagar os funcionários do canal.

Conhecida por sua cobertura partidarizada, a Globovisión tem sido uma importante plataforma para adversários de Chávez, preparando sua campanha para eleições legislativas em setembro. O canal acaba sendo um contraponto aos muitos jornais, rádios e TVs que passaram a apoiar Chávez nesses seus 11 anos no poder.

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