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16/06/2010 - 13h40 / Atualizada 16/06/2010 - 15h45

Ahmadinejad diz que vai impor condições para retomar diálogo sobre programa nuclear do Irã

Parisa Hafezi
Em Teerã

O Irã está pronto para retomar as conversações, atualmente paralisadas, sobre seu programa nuclear com as maiores potências mundiais se elas atenderem às condições que o governo anunciará em breve, disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, uma semana depois de a ONU ter aprovado novas sanções contra o país.

Entenda as sanções contra
o Irã aprovadas pela ONU

A resolução da ONU contra o país prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

Ahmadinejad deixou claro nesta quarta-feira que o "caminho nuclear" do Irã não seria negociado em nenhuma reunião, enfatizando a posição de desafio do país apesar da crescente pressão internacional sobre atividades atômicas que países do Ocidente suspeitam tenham como objetivo a fabricação de bombas.

Em uma demonstração da irritação do Estado islâmico iraniano com a votação de 9 de junho no Conselho de Segurança da ONU, que impôs uma quarta rodada de medidas punitivas contra o Irã, Ahmadinejad alertou que o país poderá "reagir com firmeza" quando seus direitos forem violados.

A determinação do Irã de prosseguir com as atividades nucleares, que diz ter como objetivo a produção de energia elétrica, foi reforçada por um autoridade ao anunciar os planos de construção de mais reatores de pesquisa.

Raio-x do Irã:

  • Nome oficial: República Islâmica do Irã
    Capital: Teerã
    Tipo de governo: República Teocrática
    População: 66.429,284
    Idiomas: Persa e dialetos persas 58%, turcomano e dialetos turcos 26%, curdo 9%, luri 2%, balochi 1%, árabe 1%, turco 1%, outros 2%
    Grupos étnicos: Persas 51%, azeris 24%, e gilakis mazandaranis 8%, curdos 7%, árabes 3%, lurs 2%, balochis 2%, turcomenos 2%, outros 1%
    Religiões: Muçulmanos 98% (xiitas 89% e sunitas 9%), outras (que inclui zoroastras, judeus, cristãos, e bahais) 2%
    Fonte: CIA Factbook

O Irã é o quinto maior produtor mundial de petróleo. Seu governo afirmou em fevereiro que havia iniciado o enriquecimento de urânio em grau elevado para garantir combustível a um reator de pesquisas médicas em Teerã, fato que desencadeou alarme em nações do Ocidente porque esse processo deixa o país próximo do nível requerido para uma bomba.

Além do reforço das restrições ao Irã, os Estados Unidos e a União Europeia também ampliaram os esforços para trazer o Irã de volta à mesa de negociações.

A chefe da Política Externa da UE, Catherine Ashton - com o apoio dos EUA, França, Rússia, Grã-Bretanha, China e Alemanha - espera se reunir com o negociador iraniano da área nuclear Saeed Jalili nas próximas semanas.

Ahmadinejad disse que o Irã é favorável às conversações, mas "vocês tomaram sua decisão e agora é nossa vez de agir para forçar vocês a se comportarem" em qualquer diálogo futuro.

"Se eles pensam que podem usar varas para pressionar o Irã, nós dizemos que a nação iraniana vai arrebentar todas essas varas," disse ele em um discurso televisionado.

O Irã diz que o objetivo de seu programa nuclear é pacífico, com a finalidade de produzir energia elétrica. Mas sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio, processo que pode ter uso tanto civil como militar, motivou quatro rodadas de sanções da ONU e medidas restritivas em separado por parte dos EUA.

No mês passado, o Brasil e a Turquia mediaram um acordo com o Irã com base em uma proposta revisada feita anteriormente pelas potências ocidentais. Mas EUA, França e Rússia expressaram dúvidas sobre a proposta revisada.

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