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19/06/2010 - 11h21 / Atualizada 19/06/2010 - 19h00

China anuncia flexibilização gradual do iuan

Por Michael Wei e Alister Bull

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) - A China anunciou no sábado que vai gradualmente tornar o iuan mais flexível, em um gesto que poderá evitar críticas na reunião de cúpula do G20 na semana que vem, mas a medida não deverá significar uma grande mudança no câmbio do país.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que deu uma alfinetada na China na questão do iuan em uma carta divulgada na sexta-feira, recebeu bem a notícia, indicando que o perigo de um confronto de mercados seria agora menor na reunião do Grupo dos 20 no Canadá.

"A decisão da China de aumentar a flexibilidade de sua taxa de câmbio é um passo construtivo que pode ajudar a garantir a recuperação e contribuir para uma economia mundial mais equilibrada", disse Obama em nota.

Outros líderes ocidentais e o Fundo Monetário Internacional também expressaram otimismo com a concessão de seu importante aliado estratégico, o que melhora as chances de sucesso na reunião que ocorre de 26 a 27 de junho.

Mas o anúncio do banco central chinês, que sugere que o país está pronto para romper com seu câmbio fixo, atrelado ao dólar há 23 meses, exclui explicitamente uma reavaliação isolada ou uma grande valorização do iuan.

"Não existe base para uma valorização importante da taxa de câmbio do RMB", disse o Banco Popular da China.

O iuan é também conhecido como renminbi ou RMB.

O câmbio atrelado ao dólar vem recebendo críticas intensas internacionalmente, uma vez que a potência exportadora recuperou-se rapidamente da crise, enquanto a maior parte da economia mundial continuou lenta e afetada pelo desemprego e pela crise financeira.

A China foi acusada de manter o iuan artificialmente desvalorizado diante do dólar, o que contribuiu para um superávit gigantesco do comércio da China com os Estados Unidos.

A China manteve o iuan numa taxa de 6,83 diante do dólar desde julho de 2008, a fim de evitar que o rápido crescimento de sua economia fosse desacelerado pela crise financeira causada pela crise de crédito nos EUA.

GUERRA COMERCIAL

A paciência dos EUA com Pequim em relação ao iuan estava se esgotando e deputados federais ameaçaram penalizar o país por sua estratégia, que prejudica as exportações dos Estados Unidos.

O senador democrata Charles Schumer, um dos principais críticos do câmbio chinês, disse que a declaração da China é vaga demais e prometeu que vai prosseguir com ações para criar barreiras comerciais.

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, que adiou a publicação de um relatório que citaria a China como um manipulador de câmbio, também frisou que as ações da China falarão mais alto que suas palavras.

"Este é um passo importante, mas o teste será a intensidade e velocidade da valorização da moeda", disse ele.

O relatório cambial, que deveria ter sido divulgado em 15 de abril, foi engavetado até depois do G20, para que a China tivesse tempo para agir.

Obama precisa da ajuda da China em várias questões delicadas, incluindo sanções contra o Irã e a Coreia do Norte por seus programas nucleares. Ele precisa equilibrar uma diplomacia discreta e a necessidade política doméstica urgente de se posicionar num confronto com a China em favor da criação de empregos nos Estados Unidos, antes das eleições para o Congresso em novembro.

Os líderes do G20 prometeram tratar desse desequilíbrio mundial. Mas a recente insistência de Pequim de que a cúpula seria o lugar errado para falar da flexibilidade do iuan poderia ter prejudicado a reunião e arruinado a confiança. A China reduziu esse risco com o anúncio de sábado.

"É uma iniciativa importante, já que demonstra o reconhecimento pelas autoridades chinesas de que um câmbio mais flexível é interesse da China e também admite sua responsabilidade para com a comunidade internacional", disse Eswar Prasad, ex-chefe do núcleo chinês do Fundo Monetário Internacional.

A China afirma há muito tempo que não cederá à pressão internacional quanto à sua moeda. O banco central está fazendo o possível para reduzir as expectativas de uma valorização do iuan.

"Acreditamos que seja um gesto positivo, sugerindo que o iuan logo retomará sua valorização contra o dólar", disseram os economistas da Goldman Sachs Yu Song e Helen Qiao.

A notícia poderá também diminuir o temor de uma disputa comercial entre os Estados unidos e a China num momento delicado para a economia mundial e poderá estimular os mercados de ações mundiais na segunda-feira.

(Reportagem adicional de Phil Smith, Lu Jianxin e Zhou Xin, David Lawder, Andy Sullivan, Emily Kaiser e Lesley Wroughton em Washington, James Kelleher em Chicago)

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