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25/06/2010 - 13h47 / Atualizada 25/06/2010 - 13h47

Presidente sírio busca investimentos em visita à América Latina

*Brasil, influente, é o destaque da viagem de Assad

*De olho em potenciais investimentos de sírios radicados na América Latina

Por Khaled Yacoub Oweis

DAMASCO (Reuters) - O presidente sírio, Bashal al-Assad, vai fazer uma rara visita à América Latina com o objetivo de ampliar o alcance diplomático da Síria depois de o país emergir do isolamento ocidental, além de atrair investimentos para a infraestrutura envelhecida de seu país.

Assad, que enfrenta uma queda na produção nacional de petróleo, além de estiagens que prejudicaram a agricultura, vai procurar reforçar os vínculos com a rica comunidade de origem síria na região e com o Brasil.

A mídia oficial síria disse que Assad vai fazer um giro por Brasil, Cuba, Argentina e Venezuela, mas não divulgou o cronograma da visita. Assad está previsto para chegar à Venezuela ainda nesta sexta-feira.

"O Brasil é uma potência em ascensão, e a Síria tem consciência disso. A visita do presidente vai ajudar a convencer a comunidade síria no exterior a começar a investir na Síria", disse o jornalista e comentarista sírio Thabet Salem.

O Brasil e a Turquia mediaram um acordo com o Irã, aliado da Síria, para que Teerã enviasse urânio pouco enriquecido ao exterior, recebendo em troca combustível para um reator. O acordo não impediu o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de impor a Teerã uma quarta rodada de sanções, este mês, tendo o Brasil votado contra.

Diplomatas em Damasco disseram que, embora a Síria concorde com os esforços do Brasil para resolver o impasse entre o Irã e o Ocidente, a visita de Assad será voltada mais a questões bilaterais e às esperanças da Síria de atrair 44 bilhões de dólares em investimentos privados nos próximos cinco anos, para reparar sua infraestrutura.

A cifra representa 80 por cento do PIB sírio, que é apenas uma fração do produto do Brasil.

ACORDOS COM BRASIL

O presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Michel Temer, disse que os dois lados vão assinar protocolos de cooperação comercial e tecnológica. O Brasil já supre a Síria da maior parte do açúcar consumido no país.

"A comunidade árabe radicada no Brasil possui um peso econômico e cultural que vai ajudar a ampliar a cooperação com a Síria no nível governamental", disse Temer à agência de notícias oficial síria.

Jihad Yazigi, editor do boletim econômico Syria Report, disse que, embora os investimentos de sírios radicados no exterior sejam mínimos, a Síria deve beneficiar-se da mudança nas tendências econômicas globais em favor da América Latina.

"A cooperação Sul-Sul é interessante no contexto do relativo declínio do Ocidente", disse Yazigi.

"A Venezuela pode ser um país pobre, mas possui petróleo e apoia o sentimento anti-EUA. O que a Síria tira disso pode ser uma vantagem", disse ele, apontando para duas visitas feitas à Síria nos últimos quatro anos pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, um dos críticos mais acirrados de Washington.

A Síria saudou os gestos do presidente norte-americano, Barack Obama, em favor de uma distensão com Damasco, mas rejeitou os chamados dos EUA para que corte seus vínculos com o movimento xiita Hizbollah, no Líbano, ou com grupos militantes palestinos.

A Venezuela e o Irã tinham anunciado planos para a construção de uma refinaria na Síria, mas os planos ainda não saíram do papel, enquanto o Irã continua incapaz de resolver seu próprio déficit de capacidade de refinamento.

A Síria, cuja população de 20 milhões de pessoas vem subindo 2,5 por cento ao ano, importa a maior parte do gás e petróleo que consome.

Sua produção de petróleo cru também vem caindo, com o ministro sírio do Petróleo prevendo que a produção caia para a média diária de 340 mil barris nos próximos 15 anos, contra o pico de 590 mil barris por dia em 1996.

Yazigi disse que a Síria, que é um dos poucos países do Oriente Médio a possuir uma base manufatureira - embora esta esteja necessitada de reformas -, pode aprender com a experiência do Brasil, um dos "Brics", que incluem também a Rússia, Índia e China.

"Os laços da Síria são bons com todos os Brics, que ainda possuem um setor manufatureiro importante", disse Yazigi.

O Fundo Monetário Internacional prevê crescimento de 5 por cento da economia síria este ano, contra 4 por cento em 2009 e 5,2 por cento em 2008. Mas as secas consecutivas que assolaram o leste da Síria provocaram o deslocamento de até 1 milhão de pessoas.

Sob a presidência de Assad, que sucedeu a seu pai falecido em 2000, o Estado sírio vem buscando atrair investimentos externos e deixar para trás um legado de economia fechada e proibições de empreendimentos privados sob o Partido Baath, que governa o país desde 1963.

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