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27/06/2010 - 14h26 / Atualizada 27/06/2010 - 14h26

Líder diz que nova Constituição foi aprovada no Quirguistão

Por Maria Golovnina

OSH, Quirguistão (Reuters) - A líder do governo interino do Quirguistão, Roza Otunbayeva, disse que o país embarcou no caminho de "estabelecer uma democracia de um verdadeiro povo" depois de aprovar uma nova Constituição no referendo deste domingo.

O Quirguistão foi às urnas para tentar criar a primeira democracia parlamentar na Ásia Central. Mais de metade dos eleitores compareceu às urnas, apesar da recente agitação política e confrontos étnicos sangrentos.

"Acreditamos que o referendo é válido. A nova Constituição da República do Quirguistão foi aprovada", afirmou Roza em entrevista coletiva.

Pelo menos 283 pessoas foram mortas neste mês na violência entre quirguizes e uzbeques no sul do Quirguistão, uma ex-república soviética que abriga bases militares russa e norte-americana e tem fronteira com a China.

A líder do governo interino votou sob forte esquema de segurança em uma universidade na cidade sulista de Osh, epicentro da violência.

"Hoje nosso país está à beira de grande perigo, mas os resultados deste referendo vão mostrar que o país está unido e que o povo é apenas um. Vai permanecer forte pelos próprios pés e seguir adiante", disse Otunbayeva, após votar.

Os Estados Unidos e a Rússia disseram que darão apoio a um governo forte para impedir que a turbulência se espalhe pela Ásia Central, que antes estava sob controle dos soviéticos e faz fronteira com o Afeganistão. Todos os países da região são governados por presidentes autoritários.

Os eleitores tiveram de responder no referendo se apoiavam as mudanças na Constituição que transfeririam poder do presidente para um primeiro-ministro, abrindo caminho para eleições parlamentares em outubro e reconhecimento diplomático para o governo interino.

A comissão central eleitoral informou que 57,74 por cento dos eleitores haviam votado. As urnas fecharam às 20h locais (11h no horário de Brasília) O país tem 5,3 milhões de habitantes.

Pela nova Carta, Otunbayeva --a primeira mulher a comandar um país na Ásia Central-- seria presidente interina até 2011. As eleições parlamentares seriam realizadas a cada cinco anos e o mandato presidencial, limitado a um período de seis anos.

Ex-embaixadora nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, Otunbayeva tomou o poder após uma revolta que derrubou em abril o presidente Kurmanbek Bakiyev. Embora ela seja do sul do país, vem lutando para controlar a região, um reduto da família de Bakiyev.

Bakiyev está exilado em Belarus, de onde afirmou não reconhecer o referendo nem o governo de Otunbayeva, dizendo que o comportamento dela foi "frívolo e irresponsável."

Os confrontos sangrentos aprofundaram as divisões entre as etnias quirguizes e uzbeques, que têm praticamente a mesma proporção na população no sul do país. Muitos uzbeques dizem ter sido o alvo da violência e relutam em apoiar o que veem como uma iniciativa quirguiz.

(Reportagem adicional de Dmitry Solovyov e de Olga Dzyubenko, em Bishkek; e de Sarah Marsh, em Berlim)

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