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07/07/2010 - 12h27 / Atualizada 07/07/2010 - 12h27

Alimentos recuam e IPCA de junho é o menor em 4 anos

RIO DE JANEIRO, 7 de julho (Reuters) - A queda significativa dos preços de alimentos e uma mudança de hábitos de consumo por conta da Copa do Mundo garantiram a estabilidade do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho, menor variação em quatro anos.

Em maio, o indicador havia subido 0,43 por cento. Analistas ouvidos pela Reuters previam desaceleração da alta do IPCA para 0,11 por cento no mês passado, segundo a mediana de 21 estimativas que variaram de 0,06 a 0,15 por cento.

Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, apontaram ainda que a inflação "oficial" no primeiro semestre foi de 3,09 por cento. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,84 por cento.

A meta perseguida pelo Banco Central neste e nos próximos dois anos é de 4,5 por cento, com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Apesar do bom comportamento do índice mensal, que patrocinou queda dos juros futuros nesta manhã, a expectativa é de que o BC mantenha o ritmo de aperto monetário na reunião de julho.

O núcleo da inflação também desacelerou. Segundo cálculos de economistas, a média dos três núcleos do IPCA subiu 0,35 por cento em junho, ante alta de 0,59 por cento em maio.

"Os alimentos foram fundamentais (para a desaceleração) e ainda houve outros movimentos de baixa que ajudaram", afirmou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

"Nesse período (de Copa do Mundo), o brasileiro, que é apaixonado por futebol, se veste de patriotismo e canaliza seu consumo para produtos da Copa."

Segundo a economista, na época dos jogos, de férias e outros a demanda por alimentos costuma diminuir, uma vez que hábitos e compromissos são flexibilizados pelo consumidor.

O IBGE destacou que variações baixas do IPCA foram observadas em outros mundiais. Em 1998, na Copa da França, o índice variou 0,02 por cento em junho; em 2002, ano da Copa do Japão e da Coreia do Sul, os preços subiram 0,42 por cento, abaixo do patamar de 0,52 por cento do ano anterior. Em 2006, com a Copa da Alemanha, o IPCA caiu 021 por cento em junho.

"Em anos de Copa, essa variação baixa sempre é ancorada pelos alimentos... Mesmo as carnes, usadas para fazer churrascos, reduziram em razão da menor exportação."

NÚCLEOS ARREFECEM

O grupo Alimentação e bebidas saiu de alta de 0,28 por cento em maio para queda de 0,90 por cento no mês passado, a variação negativa mais significativa em 11 anos.

Segundo o IBGE, houve queda dos custos de alimentos em todas as regiões pesquisadas. O grupo teve contribuição de menos 0,20 ponto percentual no IPCA de junho.

Problemas climáticos foram os principais responsáveis pelo repique dos alimentos neste ano e, por isso, no primeiro semestre esse grupo ainda foi o vilão da inflação.

Outros itens mostraram alívio dos preços em junho.

O grupo Transporte, com queda de 0,21 por cento, foi influenciado pelo recuo de preços do etanol e da gasolina, além dos automóveis novos e usados.

A inflação no atacado também desacelerou no mês passado. O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve a menor taxa desde dezembro, de 0,34 por cento .

(Por Rodrigo Viga Gaier; Texto de Daniela Machado; Edição de Vanessa Stelzer)

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