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11/07/2010 - 18h33 / Atualizada 11/07/2010 - 18h35

Vazamento de petróleo provoca descontrole emocional dos moradores do entorno do golfo do México

Matthew Bigg
Em Venice (EUA)

Kindra Arnesen, nativa da Costa do Golfo, está tão preocupada com os efeitos do derramamento de óleo no Golfo do México, que está arrumando suas coisas e deixando a cidade com a família.

"Stress? Cara, minhas roupas estão largas (por causa da perda de peso). O nível de stress aqui é enorme. Meu marido envelheceu dez anos em dois meses", disse Arnesen na sexta-feira, enquanto colocava seus pertences em uma camionete parada do lado de fora do trailer onde ela mora, em Venice, Los Angeles.

Temores com um aumento das doenças ligadas ao stress e a problemas de saúde mental por causa do derramamento de óleo da BP estão em alta. Há evidências disso, mas as autoridades de saúde dos EUA dizem que eles não têm informação sobre a dimensão e abrangência desse sofrimento.

Arnesen criou recentemente a rede de comunicação Esposas de Pescadores Profissionais para atender às pressões na comunidade. Há dois dias, um amigo lhe disse que estava tão chateado com o fato de não ter sido contratado pela BP para trabalhar no seu programa de limpeza que estava pensando em se matar.

Arnesen tem seus próprios problemas. Seu marido não pode trabalhar como pescador de camarão porque as autoridades fecharam parte das águas do Golfo para a pesca, e seus filhos e outros parentes estão doentes por causa do que ela acredita serem toxinas do vazamento, trazidas pelo vento.

"O impacto na saúde mental aqui... e o nível de incerteza está custando caro para as pessoas daqui e isso é motivo de enorme preocupação", disse Arnesen. Ela se recusou a dizer onde ela e seus dois filhos pretendem morar, mas disse que seu marido vai ficar para trabalhar para a BP nos trabalhos de limpeza.

Milhares de pescadores da Costa do Golfo estão enfrentando a ruína financeira devido ao derramamento de óleo. Alguns dizem que o stress é pior do que o que aconteceu depois que o furacão Katrina atingiu a Costa do Golfo em 2005.

Naquela época foi possível retornar ao trabalho, apesar da destruição. Agora é impossível saber quando o mar estará liberado, especialmente porque o óleo continua a jorrar.

Ao mesmo tempo, muitos pescadores agora contam com o programa de limpeza da BP com uma tábua de salvação financeira e, apesar de ser uma ajuda inesperada para alguns, outros ainda precisam encontrar um emprego.

"Ouvimos isso diversas vezes", diz a cientista ambiental Wilma Subra, da Environmental Action Network, uma organização sem fins lucrativos, com raízes profundas na comunidade. "Isso é um stress causado pela possibilidade de não ser capaz de ganhar a vida e pagar suas contas."

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