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16/07/2010 - 20h24

EUA condenam ex-espião de Cuba a prisão perpétua

Por James Vicini

WASHINGTON (Reuters) - Um funcionário aposentado do Departamento de Estado dos EUA foi sentenciado na sexta-feira a prisão perpétua por ter passado mais de três décadas espionando para o regime cubano, de cujos ideais ele compartilhava. A mulher dele foi condenada a 6 anos e 9 meses de prisão, pelo mesmo motivo.

Walter Kendall Myers, de 73 anos, tinha acesso a informações sigilosas do Departamento de Estado. Sua esposa, Gwendolyn, de 72 anos, trabalhava num banco. O homem disse ao tribunal que o casal espionava não por dinheiro ou antiamericanismo, mas por simpatia pelo comunismo.

"Nosso objetivo maior era ajudar o povo cubano a defender sua revolução. Compartilhamos dos ideais e sonhos da Revolução Cubana", disse ele.

Myers disse que as relações EUA-Cuba são marcadas por hostilidade e incompreensão mútuas, e que gostaria de aliviar os temores do povo cubano, que se sente ameaçado.

O juiz Reggie Walton disse que o casal traiu seu país, não demonstrou remorso e ainda parecia se orgulhar do que fez. "Se vocês acreditavam na revolução", disse ele ao casal no tribunal lotado, "deveriam ter desertado".

A sentença ocorre uma semana depois de o governo trocar dez espiões a serviço de Moscou por quatro indivíduos que haviam sido presos na Rússia por causa de contatos com agências ocidentais de inteligência.

Nesta semana, um cientista nuclear iraniano voltou ao seu país dizendo ter sido sequestrado por agentes dos EUA para prestar informações. Autoridades norte-americanas dizem que ele de fato forneceu inteligência sobre o programa nuclear iraniano, mas voluntariamente.

Kendall Myers era conhecido como Agente 202; a mulher dele era a agente 123. Ambos foram recrutados por Havana no final da década de 1970. O casal, que vive em Washington, foi preso há mais de um ano pelo FBI.

Myers chegou a analista-sênior de inteligência europeia, e como tal tinha acesso a documentos na categoria "top secret".

O promotor Michael Harvey disse que o casal chegou a ser condecorado por Cuba, e que em 1995 teve um encontro privado com o então presidente Fidel Castro.

"Ele é um traidor", disse Harvey sobre Myers. "Ele traiu os colegas do Departamento de Estado e a nossa nação."

O juiz concordou com o pedido da promotoria para que seja pleiteada a devolução de 1,7 milhão de dólares relativos ao salário que ele recebeu no Departamento de Estado.

Myers, que se aposentou em 2007, é bisneto do inventor do telefone, Alexander Graham-Bell.

A defesa do casal conseguiu que a mulher dele tivesse uma pena mais branda em parte por causa da sua saúde frágil. Ela já sofreu um enfarto e vários pequenos derrames. Depois da pena, ela ainda ficará mais três anos em liberdade condicional.

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