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20/07/2010 - 11h32

Afegãos devem assumir segurança no país até 2014

Por David Fox

CABUL. (Reuters) - As forças afegãs devem comandar as operações de segurança em todo o país até 2014, e até o fim do ano as tropas estrangeiras se tornarão supérfluas em algumas áreas, decidiu uma conferência internacional na terça-feira.

Esse quadro - que alguns consideram otimista demais - pressupõe um sucesso do atual contingente de 150 mil soldados estrangeiros sob o comando da Otan, envolvidos numa operação contra a milícia Taliban no "lar espiritual" dos militantes, no sul do Afeganistão. Outra premissa é de que milhares de insurgentes serão convencidos a deporem suas armas.

A real situação da segurança no país foi demonstrada na terça-feira quando um avião que transportava o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para a conferência teve de pousar na base aérea de Bagram, 60 quilômetros ao norte de Cabul, já que um ataque dos militantes com foguetes o impediram de aterrissar no aeroporto da capital.

Cerca de 60 ministros estrangeiros, inclusive a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, participaram da conferência. Apesar do forte esquema de segurança, os insurgentes conseguiram durante a noite lançar pelo menos cinco foguetes perto do aeroporto e no bairro diplomático, sem causar vítimas.

O comunicado final da conferência disse que o governo afegão poderia receber mais responsabilidades acerca de seus próprios assuntos - inclusive a segurança -, em troca de garantias de que melhorará seus padrões e sua transparência.

"As Forças Nacionais de Segurança Afegãs deveriam liderar e conduzir operações militares em todas as províncias até o final de 2014", disse o comunicado.

O parlamentar Daud Sultanzoi disse que a meta é louvável, mas parece otimista em excesso. "Olhando de uma perspectiva realista, é uma meta muito boa e necessária, mas em termos da sua praticidade há muitas questões que têm de ser resolvidas antes que possamos realmente adotar um cronograma", disse ele à Reuters.

Os EUA pretendem começar a retirar suas tropas em julho do ano que vem, e Hillary disse à conferência que essa previsão "captura tanto o nosso senso de urgência quanto a força da nossa resolução". "O processo de transição é importante demais para ser adiado indefinidamente", acrescentou.

Os participantes da conferência decidiram também que nos próximos dois anos pelo menos 50 por cento da ajuda ao desenvolvimento deve passar pelo governo afegão. Atualmente são apenas 20 por cento.

A ONG Oxfam diz que o Afeganistão já recebeu mais de 40 bilhões de dólares desde 2002, sendo mais ou menos metade para equipar e treinar forças militares e policiais.

"Continuo determinado a que nossas forças nacionais de segurança afegãs sejam responsáveis por todas as operações militares e policiais em todo o nosso país até 2014", disse o presidente Hamid Karzai no evento.

(Reportagem adicional de Andrew Quinn, Hamid Shalizi, Jonathon Burch e Sayed Salahuddin)

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