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20/07/2010 - 13h13

Sem Garotinho, Cabral deve vencer disputa no Rio no 1o turno

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A eleição no Estado do Rio tem como franco favorito o atual governador, Sérgio Cabral (PMDB). Se tudo caminhar no ritmo de agora, Cabral pode levar a disputa já no primeiro turno como resultado de um conjunto de fatores que inclui a saída de seu principal rival da disputa e, sobretudo, a parceria com o presidente Lula.

O amplo apoio de prefeitos e ações na área de segurança são outros também impulsionam o atual governador, segundo analistas. O ex-governador Anthony Garotinho (PR) optou por concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

"Pelo que indicam as pesquisas de intenção de voto, a distância entre Cabral e o segundo colocado é enorme e quase impossível de ser revertida. Acho que a saída do Garotinho facilitou uma vitória no primeiro turno", disse à Reuters a cientista política Julita Lemgruber, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes.

"O Garotinho sempre teve muita força no interior e uma relação com prefeituras do PMDB, ex-partido dele e atual do Cabral. Agora, quase todos os prefeitos do interior estão com Cabral", acrescentou.

Dos 92 prefeitos do Estado, 91 estão ao lado de Cabral. Apenas a cidade de Campos ficou de fora por ser área de influência de Garotinho.

O partido de Sérgio Cabral está presente em 35 cidades e domina ainda a Assembléia Legislativa do Estado e a Câmara dos Vereadores da capital, onde estão cerca de 40 por cento dos eleitores fluminenses.

"A conjuntura aponta que há grandes chances de Cabral vencer no primeiro turno. A saída do Garotinho ajuda e o Cabral ainda tem apoio das prefeituras e toda a máquina a seu favor", afirmou o cientista político da FGV Fernando Lattman Weltman.

A possibilidade de Cabral vencer em primeiro turno é cogitada até dentro do comitê de campanha do principal adversário, o deputado Fernando Gabeira (PV).

"Ele (Gabeira) vai lutar para cair de pé, mas achamos que existe a possibilidade de uma derrota na primeiro turno. A saída do Garotinho foi muito ruim para nós e é uma disputa contra a máquina pública. O Gabeira não tem um vintém além da sua imagem e história", disse uma fonte da campanha do deputado.

"O lado bom de uma derrota no primeiro turno seria o fato de sobrar mais tempo para ele trabalhar para a campanha à Presidência", afirmou o integrante da campanha do PV.

Pesquisa Ibope divulgada no início de junho, ainda com Garotinho entre as possibilidades, aponta Cabral com 43 por cento das intenções de voto contra 21 por cento de Garotinho e 12 por cento de Gabeira.

Ao longo da sua gestão, Cabral também conseguiu um fato praticamente inédito: unir prefeitura e governos estadual e federal. "Essa aliança com Lula e (o prefeito) Eduardo Paes (PMDB) pode ser um trunfo a mais para o governador. Ele fez isso com muita habilidade como também fez com o Legislativo local", avaliou Lemgruber.

Em anos anteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentava no Estado a oposição do casal Garotinho e na esfera municipal a do ex-prefeito Cesar Maia (DEM).

Já Gabeira emergiu para cargos majoritários nas eleições de 2008, quando disputou a prefeitura e foi derrotado por Paes, por pequena margem. A coligação que o apóia junta PV, PSDB, PPS e DEM.

"É uma coligação complicada, nós sabemos, mas diante das circunstâncias era o que deveria ser feito", disse Gabeira, que tem a difícil missão de ter que se dividir no plano nacional entre as candidaturas presidenciais de José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), enquanto Cabral está do lado de Dilma Rousseff (PT).

Para o cientista político da FGV, "é uma candidatura em cima de imagem que foi construída e bem aceita em 2008. É um aposta de alto risco e ambígua para alguém que talvez tenha que pedir voto para dois candidatos. Não existia alternativa para a coligação montada na eleição municipal e às vezes alguém tem que ir para o sacrifício", avaliou Lattman.

(Edição de Carmen Munari)

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