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26/07/2010 - 15h05

Cuba continua a buscar soluções: vice-presidente

Por Rosa Tania Valdés

SANTA CLARA, Cuba (Reuters) - O presidente cubano Raúl Castro cedeu o microfone a seu segundo em comando, na segunda-feira, no principal discurso do ano, para explicar que continua a procurar soluções para os problemas do país.

O general de 79 anos aplaudiu da primeira fileira o discurso fortemente político do vice-presidente José Ramón Machado Ventura, proferido em um comício em Santa Clara, 270 quilômetros a leste de Havana.

"Continuaremos o estudo, a análise e a tomada de decisões que conduzam à superação de nossas deficiências de todas as ordens e ao aprimoramento de nossa sociedade", disse o vice-presidente.

"Vamos atuar sem soluções populistas, demagógicas ou enganosas. Prosseguiremos com senso de responsabilidade, passo a passo, no ritmo que nós mesmos determinemos, sem improvisações nem precipitações."

O discurso do Dia da Rebeldia Nacional é normalmente uma das ocasiões em que Raúl Castro se dirige diretamente à população. Foi a primeira vez que ele cedeu o microfone nessa data desde que tomou o lugar de seu irmão Fidel, em 2006.

Muitos esperavam que fossem anunciadas medidas esboçadas quatro anos atrás, quando Raúl Castro assumiu o poder com a promessa de melhorar a qualidade de vida dos cubanos.

O país passa por uma situação econômica difícil, com problemas de liquidez acentuados por sua dependência de importações.

Cubanos consultados antes do comício disseram que esperavam reformas, como por exemplo a privatização de pequenas empresas e uma diminuição do controle do Estado sobre a economia.

Mas algumas das 90 mil pessoas que ouviram Machado Ventura no mausoléu do guerrilheiro argentino Ernesto "Che" Guevara em Santa Clara disseram que estavam saindo satisfeitas.

FIDEL AUSENTE

Apesar das expectativas suscitadas por suas aparições em público nas últimas semanas, o ex-presidente Fidel Castro não participou do comício em Santa Clara.

"Fidel, cuja recuperação visível é motivo de profunda alegria para todos os revolucionários, está presente e combatendo neste dia que tanto significa para ele e para todos nós", falou Machado Ventura.

O discurso do vice-presidente não aludiu à decisão recente de Cuba de começar a libertar cerca de 50 presos políticos, em aparente resposta às críticas internacionais à situação dos direitos humanos.

Analistas acreditam que a soltura dos presos pode melhorar o clima com os Estados Unidos e facilitar uma aproximação entre os dois países, inimigos ideológicos da Guerra Fria.

Raúl Castro poderá discursar para a população em uma sessão do Parlamento marcada para 1o de agosto.

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