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26/07/2010 - 11h14

Ex-membro do Khmer Vermelho é sentenciado por crimes no Camboja

Por Martin Petty e Prak Chan Thul

PHNOM PENH (Reuters) - O primeiro ex-comandante do Khmer Vermelho a ser submetido a um tribunal ligado à ONU foi sentenciado na segunda-feira a 35 anos de prisão por seu envolvimento na morte de 14 mil pessoas na década de 1970, mas cumprirá cerca de metade da pena, o que enfureceu muitos cambojanos.

Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, foi diretor da prisão Tuol Sleng (conhecida também como S-21), uma antiga escola que virou símbolo das atrocidades do regime comunista (1975-1979) que exterminou cerca de 1,7 milhão de pessoas, ou quase um quarto da população cambojana.

A promotoria havia pedido 40 anos de prisão para Duch, que era acusado de homicídio, torturas, estupros, crimes contra a humanidade e outros delitos.

O réu ouviu impassível à leitura do veredicto. Na prática, a pena será de 19 anos, porque levará em conta o tempo de prisão já cumprido. Mas Duch poderá ser solto ainda antes disso, caso as autoridades acreditem que ele foi reabilitado, segundo o tribunal.

"Esperávamos que este tribunal fosse duro contra a impunidade, mas se você pode matar 14 mil pessoas e cumprir apenas 19 anos - 11 horas por vida tirada - o que é isso? É uma piada", disse a cambojana naturalizada norte-americana Theary Seng, cujo pai morreu na prisão S-21.

"Minha intuição é de que isso piorou a situação para o Camboja", disse Lea. "Isso tirou muita fé do sistema e aumentou as preocupações de interferência política."

Duch havia dito ao tribunal que teve de cumprir ordens, pois se tratava de uma escolha entre "matar ou ser morto". Promotores insistiram que ele era "ideologicamente da mesma espécie" da liderança do Khmer Vermelho, e nada fez para impedir as torturas generalizadas na prisão.

Alguns cambojanos choraram depois de ouvirem o veredicto, ultrajados com o resultando oferecido pela corte mantida conjuntamente pela ONU e pelo governo do Camboja. Em cinco anos, o tribunal gastou 78,4 milhões de dólares das doações internacionais recebida. Outros quatro ex-funcionários do regime também estão sendo julgados.

"Não há justiça. Eu queria prisão perpétua para Duch", disse Hong Sovath, 47, soluçando no tribunal. O pai dela, um diplomata, foi morto na prisão. Khan Mony, que teve uma tia executada após passar pela S-21, também estava devastada.

Em bares e nas casas, milhares de pessoas pararam na frente das televisões para assistir ao vivo o anúncio da sentença.

O tribunal disse que várias razões o levaram a excluir a pena de prisão perpétua, inclusive as manifestações de remorso de Duch, a sua cooperação com a corte, seu "potencial de reabilitação" e o ambiente de coação que existia no país no tempo do Khmer Vermelho.

"A câmara decidiu que há fatores mitigadores suficientes que exigem uma pena de prisão finita em vez da prisão perpétua", disse o presidente do tribunal em nota.

Não há pena de morte no Camboja.

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