UOL Notícias Notícias
 
26/07/2010 - 13h09

Foguete da Otan matou 45 civis, diz governo afegão

Por David Fox

CABUL (Reuters) - Pelo menos 45 civis, inclusive várias mulheres e crianças, morreram na semana passada ao serem atingidos por um foguete da Otan na província de Helmand, no sul do Afeganistão, disse um porta-voz do governo do país na segunda-feira.

Siyamak Herawi disse à Reuters que o incidente aconteceu na sexta-feira no distrito de Sangin, quando civis se aglomeravam em uma casa de barro para tentar se proteger dos combates entre a Isaf (força internacional comandada pela Otan no país) e insurgentes do Taliban.

"A investigação mostra que o foguete foi disparado pela Otan e que 45 civis, muitos deles mulheres e crianças, foram mortos", disse ele.

A ocorrência de vítimas civis por causa de ações militares estrangeiras é um dos principais pontos de atrito entre o governo do presidente Hamid Karzai e seus apoiadores ocidentais, e já motivou manifestações nas ruas.

Em nota divulgada na noite de segunda-feira (hora local), a Isaf disse que uma investigação conjunta com o governo por enquanto não encontrou evidências de mortes de civis no incidente.

"Qualquer especulação a esta altura de uma suposta vítima civil na aldeia de Rigi é completamente infundada", disse o contra-almirante Greg Smith, diretor de comunicações da Isaf, em nota.

Também na segunda-feira, a entidade WikiLeaks divulgou dezenas de milhares de documentos secretos os EUA mostrando o que ela disse ser "a verdadeira natureza desta guerra" no Afeganistão.

Os documentos abrangem o período prévio à posse do presidente Barack Obama, que logo adotou uma nova estratégia que incluía o envio de reforços e medidas para evitar vítimas civis.

Segundo o WikiLeaks, milhares de mortes de civis, individuais ou em duplas, deixaram de ser denunciadas ou contabilizadas. Julian Assange, fundador do grupo, disse que a importância dos documentos divulgados está no acúmulo de pequenos detalhes desconhecidos, e não na revelação de um fato impactante por si só.

"A verdadeira história deste material é que é guerra, que é uma coisa ruim depois da outra. São contínuos pequenos eventos, contínuas mortes de crianças", afirmou ele.

Países ocidentais que participam da Isaf dizem que reduzir o número de vítimas civis continua sendo uma prioridade.

"Nossas atividades devem visar antes de mais nada à defesa da população, não combater a população", disse o chanceler italiano, Franco Frattini, a jornalistas durante uma reunião da União Europeia na segunda-feira em Bruxelas. "Quando baixas civis ocorrem, há um péssimo quadro oferecido à opinião pública e ao mundo."

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h19

    0,73
    3,281
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h23

    -1,89
    61.457,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host