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26/07/2010 - 12h10

Polícia francesa interroga herdeira da L'Oréal

Por Thierry Leveque

PARIS (Reuters) - A polícia interrogou nesta segunda-feira a mulher mais rica da França a respeito de suspeitas de evasão fiscal e lavagem de dinheiro, num escândalo que abalou o governo do país.

Liliane Bettencourt, de 87 anos, herdeira do grupo L'Oréal, teria de explicar duas contas bancárias não-declaradas na Suíça e nas ilhas Seychelles, citadas em gravações secretas feitas por um ex-mordomo e publicadas na imprensa.

Ela tem dito que pretendia repatriar o dinheiro mantido na Suíça e acertar as contas com as autoridades fiscais.

A polícia poderia interrogá-la também sobre acusações feitas por uma ex-contadora de que Bettencourt e seu falecido marido teriam feito enormes doações financeiras ilegais a políticos conservadores, inclusive para a campanha eleitoral do presidente Nicolas Sarkozy em 2007.

O advogado Georges Kiejman disse à Reuters que Bettencourt foi ouvida "como testemunha" na sua mansão em Neuilly, um subúrbio rico de Paris.

Outros envolvidos no caso foram intimados a comparecer à sede da divisão de crimes financeiros da polícia de Paris, e alguns deles foram detidos.

O ministro francês do Trabalho, Eric Woerth, suspeito de ter recebido dinheiro para a campanha de Sarkozy, negou qualquer irregularidade e rejeitou também as acusações de um conflito de interesses, pelo fato de sua mulher ter sido gestora da fortuna de Bettencourt na época em que ele era ministro do Orçamento, encarregado de assuntos fiscais, e tesoureiro do partido governista UMP.

Woerth deve ser interrogado pela polícia nesta semana -- algo que o gabinete autorizou na quarta-feira. Ele diz que não irá renunciar e que pretende concluir a reforma previdenciária a ser votada em outubro no Parlamento.

O que começou como uma disputa familiar por causa de presentes caros dados por Bettencourt a seu amigo François-Marie Banier, fotógrafo da alta sociedade, acabou virando um escândalo político.

Françoise Meyers-Bettencourt, filha da bilionária, abriu dois processos judiciais para que a mãe seja declarada incapaz e ela seja nomeada tutora judicial.

O promotor Philippe Courroye escreveu na semana passada a Meyers-Bettencourt dizendo que seu pedido não teria chance de ser aprovado sem um atestado médico que certifique a incapacidade da mãe dela.

A bilionária se recusa a se submeter a exames médicos independentes, mas disse em nota na sexta-feira que se sente plenamente capaz de cuidar do que resta da sua fortuna.

Ela disse que cedeu à filha e aos netos sua participação de 30,98 por cento na L'Oréal, com um valor de mercado de 15,6 bilhões de euros (20 bilhões de dólares), mas que recebe os dividendos e que tem cerca de 1 bilhão de euros em outros bens.

As gravações secretas sugerem que a gestora da fortuna de Bettencourt recebeu conselhos de assessores jurídicos de Sarkozy na presidência sobre como lidar com os processos.

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