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03/08/2010 - 20h52

Crise com Colômbia arruína comércio na fronteira venezuelana

Por Javier Faria

SAN ANTONIO, Venezuela (Reuters) - A crise desatada em julho entre Venezuela e Colômbia derrubou o comércio na fronteira binacional e está favorecendo o contrabando de mercadorias, o que representa uma ameaça para as economias dos vizinhos andinos.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações com a Colômbia depois de ser acusado de dar amparo a guerrilheiros colombianos. No ano passado, ele já havia restringido as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países, numa retaliação a um acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos.

Em San Antonio del Táchira, muitas lojas fecharam mais cedo por falta de clientes nesta terça-feira na avenida Bolívar, que dá acesso à Colômbia. Vários comerciantes colocaram cartazes de "vende-se" à frente dos seus negócios.

"Nem estando o bolívar desvalorizado frente ao peso chegam clientes da Colômbia para comprar por temor de que sejam detidos ou deportados", disse Emma Bustos, que há oito anos mantém uma loja de artigos de couro.

A atividade comercial na região da fronteira caiu 80 por cento em relação à semana passada, segundo o boletim da Câmara de Comércio de San Antonio. Por falta de clientes, muitos negócios reduziram os salários dos funcionários e passaram a atender apenas seis horas por dia.

"Já tive de demitir pessoal, reduzir o horário para poupar gastos, porque as vendas são mínimas. Não recebo em caixa nem metade do que entrava em vendas em maio ou junho", acrescentou Bustos.

Até agora, não houve deportação de estrangeiros, embora a Guarda Nacional Bolivariana reviste todos os veículos com placas colombianas, assim como transportes coletivos que entram e saem da Venezuela.

CONTRABANDO

Enquanto o comércio legal cai, o contrabando floresce na ampla fronteira de mais de 2.000 quilômetros, onde convivem guerrilheiros, paramilitares e delinquentes comuns que transportam drogas, combustível e outros produtos.

"Por causa da situação diplomática com a Colômbia disparou um mercado negro de combustível na fronteira ... há mais gente trabalhando nisso do contrabando, mais que na semana passada, porque é mais rentável", disse o presidente da União de Transportadores da Fronteira, Celestino Moreno.

O amplo subsídio do governo venezuelano à gasolina, uma das mais baratas do mundo, propicia um contrabando que gera milhões de dólares em prejuízos nos dois lados da fronteira.

Além disso, muita gente lucra fazendo câmbio paralelo, uma atividade que prospera por causa do controle cambial vigente desde 2003 na Venezuela.

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