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03/08/2010 - 23h01

EUA propõem inspeções obrigatórias da AIEA na Síria

Por Adrian Croft

LONDRES (Reuters) - O embaixador norte-americano junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) defendeu nesta quinta-feira uma inspeção obrigatória especial na Síria para esclarecer suspeitas de atividade atômica secreta.

Um relatório confidencial da agência nuclear obtido em maio pela Reuters dizia que a Síria revelara a inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) alguns detalhes de experiências nucleares do passado, mas continuava impedindo o acesso deles ao terreno no deserto, onde a atividade atômica secreta pode ter ocorrido.

Relatórios de inteligência dos Estados Unidos dizem que no terreno havia obras --destruídas por um bombardeio israelense em 2007-- de um reator nuclear destinado a produzir combustível para bombas atômicas. O projeto seria norte-coreano.

A Síria permitiu que a AIEA fosse ao local, conhecido como Al Kibar ou Dair Alzour, em junho de 2008, mas nunca mais deixou que os inspetores voltassem.

Glyn Davies, embaixador dos EUA junto à AIEA em Viena, disse que "vários países" começam a se perguntar se não é hora de evocar o mecanismo de "inspeção especial" da AIEA.

"A Síria ... adoraria simplesmente protelar qualquer ação séria para chegar ao fundo do que eles estavam fazendo em Al Kibar", disse o diplomata a jornalistas em Londres.

"Nossa posição é de que não vamos adiar isso indefinidamente, não podemos. A agência precisa fazer seu dever, e precisa receber as respostas a essas questões. Uma inspeção especial é uma das ferramentas disponíveis, então isso é algo que precisa ser considerado", disse ele.

A AIEA não tem meios jurídicos para obrigar a Síria a se abrir às inspeções, porque o tratado de salvaguardas básicas do país abrange apenas sua única instalação atômica declarada, um reator de pesquisas antigo.

As inspeções especiais permitem que a AIEA examine qualquer lugar, mesmo que não sejam usinas nucleares, e com pouco aviso prévio.

Davies disse que a AIEA deveria examinar a questão da Síria neste ano, mas alertou contra tratar de muitas questões ao mesmo tempo, salientando que o programa nuclear do Irã ainda é "a maior ameaça no momento."

Ele sugeriu que a Turquia e possivelmente o Brasil poderiam participar de futuras negociações para a implementação de um acordo de intercâmbio de combustível nuclear a fim de limitar o processo de enriquecimento de urânio do Irã.

A proposta foi apresentada originalmente em outubro, e em maio o Brasil e a Turquia convenceram Teerã a aceitar a ideia --o que afinal não ocorreu, porque logo depois o Conselho de Segurança da ONU impôs novas sanções ao país.

Na segunda-feira, o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, disse que o plano poderá voltar a ser negociado nos próximos meses.

(Reportagem adicional de Sylvia Westall, em Viena)

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