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03/08/2010 - 15h51

Gasto do consumidor nos EUA preocupa mercado

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - O gasto e a renda do consumidor dos Estados Unidos ficaram estáveis em junho, enquanto o índice de vendas pendentes de moradias usadas caiu à mínima recorde, indicando uma recuperação econômica anêmica para o resto do ano.

Os relatórios desta terça-feira mostraram que o crescimento da economia norte-americana assumiu um ritmo mais lento nos últimos meses do segundo trimestre, armando um desempenho fraco para o período entre julho e setembro.

O gasto do consumidor havia crescido 0,1 por cento em maio, segundo o Departamento de Comércio, e analistas esperavam um ganho semelhante em junho.

Um relatório da Associação Nacional de Corretores mostrou que o índice de vendas pendentes de moradias, baseado em contratos assinados em junho, caiu à mínima histórica de 75,7, de 77,7 em maio. Os mercados esperavam que o índice subisse 0,6 por cento.

"Eu acho que isso é mais evidência de que a economia está sendo um pouco mais lenta agora. Com o PIB (Produto Interno Bruto) na semana passada, o segundo trimestre é um pouco mais lento que o esperado anteriormente", disse Giri Cherukuri, operador-chefe da OakBrook Investments em Lisle, Illinois.

O gasto mais controlado do consumidor contribuiu com a desaceleração para 2,4 por cento do ritmo de crescimento econômico dos EUA no segundo trimestre, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. A economia do país cresceu à taxa de 3,7 por cento nos primeiros três meses do ano.

Outro relatório do Departamento de Comércio informou que o volume de novas encomendas recebidas pelas fábricas norte-americanas encolheu 1,2 por cento. Foi o segundo declínio mensal seguido, pior que as expectativas do mercado de uma queda de 0,5 por cento.

O setor manufatureiro está liderando a recuperação da economia, mas exibiu sinais de exaustão nos últimos meses. Dados mostraram na segunda-feira que a atividade manufatureira desacelerou em julho pelo terceiro mês seguido, em meio à redução das encomendas.

DESEMPREGO ALTO

O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, alertou nesta terça-feira que a taxa de desemprego do país pode subir nos próximos meses, antes de cair. "É possível que haja alguns meses em que ele (o desemprego) suba", disse Geithner ao programa "Good Morning America", da rede de TV norte-americana ABC.

"Mas o que nós esperamos ver ... é uma economia que se cure gradualmente. Claro que queremos fazer o que pudermos para garantir esse processo, porque ele (o emprego) não está crescendo tão rápido quanto nós gostaríamos."

A taxa de desemprego atual norte-americana é de 9,5 por cento.

O comitê de política monetária do Fed se reúne na semana que vem, e as autoridades do banco central estão discutindo sobre a necessidade de novas medidas de estímulo à economia frente a sinais crescentes de desaceleração da economia.

O gasto do consumidor, ajustado para inflação, subiu 0,1 por cento em junho, após aumentar 0,2 por cento em maio. O gasto real em serviços cresceu 0,1 por cento, enquanto o gasto em produtos subiu 0,2 por cento, disse o Departamento de Comércio.

A renda pessoal ficou estagnada depois de crescer 0,3 por cento em maio. Foi a primeira vez desde setembro que a renda não variou para cima. Os mercados esperavam alta de 0,2 por cento em junho.

A renda real disponível cresceu 0,2 por cento, após subir 0,4 por cento no mês anterior. A taxa de poupança do norte-americano foi de 6,4 por cento, a maior desde junho do ano passado, após 6,3 por cento em maio. A taxa anual de poupança subiu para 725,9 bilhões de dólares, o maior valor desde junho do ano passado.

O relatório também mostrou que o índice de gastos pessoais com consumo, excluindo alimentos e energia, subiu 1,4 por cento nos 12 meses até junho. Foi o menor avanço desde setembro.

O índice, importante medida de inflação monitorada pelo Fed, teve alta de 1,5 por cento em maio.

(Reportagem adicional de John Parry e Emily Flitter em Nova York)

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