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03/08/2010 - 18h17

ONU e Equador criam fundo para proteger Amazônia

QUITO (Reuters) - O Equador definiu nesta terça-feira a criação de um fundo administrado pela ONU para receber doações que compensem o país por uma futura suspensão da exploração de seu maior campo petrolífero, situado em pleno coração da selva amazônica, para proteger os recursos naturais.

O fundo será administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mas o Equador decidirá em quais projetos serão investidos os recursos doados. A previsão é de que nos primeiros 18 meses o valor chegue a 100 milhões de dólares.

O governo equatoriano está disposto a renunciar a cerca de 850 milhões de barris de petróleo do campo de Ihspingo-Tambococha-Tiputini (ITT), a "joia da coroa" do petróleo do país, mas em troca espera a compensação de pelo menos metade dos 7 bilhões de dólares que deixaria de receber.

O ITT fica no centro do Parque Nacional Yasuní, uma das reservas com maior biodiversidade do planeta, com cerca de 982 mil hectares.

"A assinatura do instrumento financeiro é parte desse esforço permanente para nos aproximarmos da utopia de ter um planeta que respeite os direitos dos seres vivos", disse a ministra do Patrimônio, María Fernanda Espinosa, durante a cerimônia.

"A iniciativa Yasuní-ITT faz do Equador um país líder da conservação da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e desenvolvimento social com justiça ambiental em nível mundial", acrescentou.

O campo ITT representa 20 por cento das reservas petrolíferas do país, o menor integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Os recursos arrecadados serão destinados ao desenvolvimento de energias alternativas.

APOIO FORMAL

As autoridades garantiram que o país recebeu o apoio formal de Alemanha, Bélgica, União Europeia, Itália e Espanha. A Alemanha se comprometeu a entregar 50 milhões de euros por ano.

Nas próximas semanas, representantes do governo equatoriano iniciarão um giro por vários países, incluindo nações árabes, para obter aportes individuais e de empresas privadas.

O argumento do Equador para promover esse fundo é que ao deixar de explorar o campo ITT será evitada a emissão de 407 milhões de toneladas de carbono na atmosfera, quantidade equivalente às emissões de países como Brasil e França em um ano.

Em troca dos recursos serão emitidos certificados de garantia em favor dos doadores, o que permitirá que os recursos lhe sejam devolvidos no caso de o Equador decidir explorar o campo. Se num determinado período o país não conseguir arrecadar os recursos, poderá explorar o ITT.

O Parque Yasuní é considerado um dos lugares de maior biodiversidade no mundo. Em 1989 foi declarado pela Unesco Reserva Mundial da Biosfera.

Segundo estudos científicos, em apenas um hectare o parque abriga cerca de 655 espécies de árvores e arbustos, umas 590 espécies de aves e 80 tipos de morcegos, entre outras classes de flora e fauna.

(Por Alexandra Valencia)

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