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03/08/2010 - 13h03

Queda da produção indústria deve ter abatido PIB no 2o tri

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria brasileira perdeu força no segundo trimestre, com queda da produção nos três meses do período, o que deve ter abatido o desempenho da economia em geral.

No primeiro semestre, no entanto, o setor registrou crescimento recorde e analistas ainda preferem avaliar os dados recentes com cautela.

Somente em junho, a atividade declinou 1,0 por cento em relação a maio, cujo dado foi revisto de estabilidade para queda de 0,2 por cento frente a abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. Em abril, houve baixa de 0,8 por cento.

Em relação a junho do ano passado, a atividade cresceu 11,1 por cento, a menor taxa desde novembro.

Analistas consultados pela Reuters projetavam queda mês a mês de 1,1 por cento e avanço anual de 11,8 por cento.

O recuo mensal de 1,0 por cento foi o maior desde o auge da crise global, em dezembro de 2008.

"As três taxas negativas mostram um ritmo bem menos intenso no segundo trimestre", disse o economista do IBGE André Macedo. "Sondagens e pesquisas mostraram que no segundo trimestre alguns setores estavam com estoque acima do desejado, fazendo com que fosse um segundo trimestre de menor dinamismo."

Ele destacou que a Copa do Mundo também teve impacto negativo sobre a produção de junho, visto que três jogos da seleção brasileira caíram em dias úteis.

"Esse é um fator que contribuiu e, além disso, foi um trimestre também com perdas em setores importantes como a paralisação em refinarias, redução de vendas em bebidas e fim da desoneração de IPI para alguns setores, o que provocou uma antecipação de compras", acrescentou Macedo.

Os juros futuros reagiram inicialmente com queda, mas analistas mostraram cautela com o indicador de junho.

"Nossa avaliação é que a Copa do Mundo exerceu forte influência negativa no resultado, não permitindo traçar uma tendência a partir deste desempenho. Nossa expectativa é, inclusive, que a indústria volte a crescer a partir de julho refletindo o ambiente de forte demanda doméstica", afirmou Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets.

"Como a produção industrial apresenta forte correlação positiva com o PIB, será importante acompanhar o desempenho a partir de julho para poder avaliar se a economia irá continuar crescendo em ritmo mais modesto ou se voltará a ganhar força."

A queda indústria foi uma das evidências da desaceleração da economia levadas em conta pelo Banco Central ao reduzir o ritmo do aperto monetário em julho, quando elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, para 10,75 por cento ao ano, após dois aumentos de 0,75 ponto cada.

Apesar da queda no trimestre, no entanto, o patamar de produção está apenas 2 por cento abaixo do nível recorde observado em março deste ano, segundo o IBGE.

No primeiro semestre, a indústria cresceu 16,2 por cento, recorde para o período da série histórica iniciada em 1991. "Isso reflete a recuperação da indústria no pós-crise motivado pelo primeiro trimestre, mas é preciso lembrar que a base de comparação no ano passado era bem mais fraca", disse Macedo.

Ele destacou que a queda na produção no segundo trimestre terá impactos negativos no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, já que a indústria tem peso entre 25 e 30 por cento na formação do PIB pela ótica da produção.

SETORES

O recuo mensal de 1,0 por cento teve perfil generalizado, alcançando 20 dos 27 ramos pesquisados e todas as categorias de uso, segundo o IBGE.

Entre os setores, o destaque foi a queda de Outros produtos químicos, de Máquinas para escritório e equipamentos de informática e de Alimentos. Nas categorias de uso, a maior baixa ocorreu em bens de consumo duráveis, de 3,2 por cento, seguida por bens de capital, com a primeira queda desde março do ano passado.

Na comparação anual, 22 dos 27 setores mostraram produção maior, com destaque para Veículos automotores e Máquinas e equipamentos. Entre as categorias de uso, a maior alta foi de bens de capital, de 26,8 por cento.

Outro dado divulgado nesta manhã confirmou aceleração da inflação em São Paulo, com uma queda mais amena dos preços de alimentos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,17 por cento em julho, após variação positiva de 0,04 por cento em junho. Analistas ouvidos pela Reuters previam alta de 0,20 por cento .

(Reportagem adicional de Vanessa Stelzer)

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