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04/08/2010 - 17h13

Brasil já havia abordado Irã sobre condenada à morte

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil já havia conversado com o governo do Irã antes que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferecesse asilo à mulher iraniana condenada à morte por apedrejamento, informou nesta quarta-feira o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

"Não foi simplesmente um pronunciamento do presidente. O presidente se pronunciou porque já tinha anteriormente orientado o Itamaraty nessa direção", disse Garcia a jornalistas.

Cerca de duas semanas antes do anúncio de Lula, feito no sábado, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, por instrução do presidente, relatou a seu colega iraniano que o governo brasileiro gostaria que Sakineh Mohammadi Ashtiani fosse beneficiada com "alguma medida de liberdade", informou Garcia.

Dias antes de se mostrar disposto a ajudar, Lula havia sugerido que iria se manter afastado da polêmica que envolve a condenação da mulher iraniana por adultério. Um porta-voz do Irã, no entanto, deu a entender que rejeitava a oferta, afirmando que Lula era sensível e humano, mas mal informado.

Para o assessor da Presidência, a postura do presidente Lula ou as declarações do porta-voz iraniano não afetam as relações bilaterais. Segundo Garcia, o Brasil continua contrário às sanções aprovadas contra a República Islâmica.

Garcia completou que a atitude do governo brasileiro reflete a "percepção que nós temos de direitos humanos no mundo".

A sentença imposta a Sakineh por um relacionamento extraconjugal, que ela nega, despertou protestos de grupos de defesa dos direitos humanos e grande indignação internacional.

Assassinato, adultério, roubo armado, apostasia e tráfico de drogas são todos crimes puníveis com a pena de morte pela lei islâmica do Irã, implementada desde a Revolução de 1979.

Irã e Brasil se aproximaram neste ano, após os governos brasileiro e turco mediarem uma proposta de acordo sobre os trabalhos de enriquecimento de urânio iraniano, que o Ocidente teme ser um disfarce para o desenvolvimento de uma bomba atômica. Teerã nega essa acusação e diz que busca a produção de eletricidade.

COLÔMBIA E VENEZUELA

Garcia afirmou ainda que o governo brasileiro espera que a crise diplomática entre Colômbia e Venezuela seja solucionada com a posse do novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no sábado.

O assessor revelou que a conversa entre Lula e Santos por telefone, há poucos dias, ocorreu num tom cordial e que há disposição do governo colombiano de negociar com a Venezuela.

Lula vai à posse de Santos e também irá conversar com Chávez sobre a crise, em visita à Venezuela na sexta-feira. Para Garcia, é importante desfazer a "confusão que se armou", pois há prejuízos políticos e econômicos.

"Há interesses políticos muito importantes. A credibilidade da América do Sul e da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) estão evidentemente muito em jogo", declarou o assessor. "Há também, do ponto de vista bilateral, interesses econômicos. A Venezuela é uma grande importadora de produtos colombianos."

A crise se intensificou após o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, acusar a Venezuela de abrigar guerrilheiros das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações diplomáticas com o país vizinho e colocou em estado de alerta suas Forças Armadas.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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