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04/08/2010 - 12h37

Incêndios já mataram 48 na Rússia; Putin diz que situaçã é tensa

Por Gleb Bryanski

VORONEZH, Rússia (Reuters) - Chegou a 48 o número de mortos nos incêndios florestais na Rússia, que atingem uma área equivalente à da região metropolitana de Londres e deixaram a capital Moscou envolta em uma névoa ácida. É o maior número de vítimas de um incêndio em quase quatro décadas no país.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, criticou nesta quarta-feira o comando da Marinha e demitiu vários alto oficiais nesta por causa de um grande incêndio em uma base naval perto de Moscou. O fogo destruiu pelo menos 13 hangares com aviões e equipamentos.

O primeiro-ministro Vladimir Putin considerou a situação "tensa e perigosa" e Medvedev interrompeu suas férias de verão na estância de Sochi, no Mar Negro, para participar de uma reunião sobre o assunto no Conselho de Segurança da Rússia.

O fogo se espalhou pelas florestas, consumindo a madeira seca, no pior verão do país desde que os dados de temperatura começaram a ser registrados, há 130 anos. Milhares de pessoas estão desabrigadas, o que levou as autoridades a declararem estado de emergência em sete das regiões mais atingidas.

Críticos dizem que as medidas do governo vêm sendo lentas e ineficazes e afirmam que mudanças no Código Florestal da Rússia encaminhadas pelo governo e aprovadas pelo Parlamento em 2006 enfraqueceram seriamente as defesas contra o fogo nas vastas florestas do país, que é o de maior extensão territorial no mundo.

Putin visitou bombeiros na região de Voronezh, no sul, uma das mais afetadas. "A situação em relação aos incêndios florestais no país, no conjunto, se estabilizou, mas permanece "tensa e perigosa", disse ele num encontro com outras autoridades.

A Rússia envolve 170 mil pessoas no combate ao fogo, incluindo soldados. Nesta quarta-feira havia pelo menos 520 incêndios em uma área total de 1.885 quilômetros quadrados, segundo o Ministério das Emergências.

Esses são os piores incêndios florestais no pais desde 1972, quando o fogo se espalhou por uma área de 100 mil quilômetros quadrados da então União Soviética e pelo menos 104 pessoas morreram apenas na região nos arredores de Moscou.

Uma onda de calor recorde afeta partes centrais da Rússia europeia desde junho, arruinando parte da safra de grãos em algumas áreas e elevando os temores de que uma colheita ruim no país, o terceiro maior exportador de trigo do mundo, possa puxar os preços do produto para cima.

A qualidade do ar em Moscou, cidade de 10,5 milhões de habitantes, está nos níveis mais perigosos desde que situação semelhante ocorreu há oito anos.

Moradores se queixam de acordar com dor de cabeça e garganta irritada. Os ventiladores se esgotaram nas lojas da cidade e algumas pessoas passaram a usar na rua máscaras sobre a boca.

Os incêndios também complicaram as operações do amplo e defasado setor nuclear russo. Um reator teve de ser fechado na estação de energia elétrica de Novovoronezh porque os transformadores quebraram por causa da elevada temperatura do ar.

(Reportagem adicional de Alexei Anishchuk, Dmitry Solovyov e Toni Vorobyova em Moscou)

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