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04/08/2010 - 21h30

Narcotráfico do México usa vídeos violentos para semear terror

Por Mica Rosenberg

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Os poderosos cartéis de drogas mexicanos estão usando cada vez mais vídeos grotescos de execuções e interrogatórios para intimidar seus rivais e a polícia, e ainda aterrorizar o público na implacável guerra do narcotráfico.

Os cartéis, que disputam o controle das lucrativas rotas até os Estados Unidos, costumavam deixar recados escritos a mão junto aos corpos de suas vítimas como método para atemorizar os grupos rivais e as forças de segurança.

Mas, agora, estão utilizando mais blogs ou sites na Internet, como YouTube, para divulgar seus crimes, pressionando a mídia mexicana a difundir vídeos violentos na televisão.

A estratégia agressiva tem levantado mais dúvidas sobre se a ofensiva antidrogas do presidente Felipe Calderón está tendo progressos para debilitar os cartéis e frear o comércio de drogas que movimenta até 40 bilhões de dólares ao ano no México.

Cerca de 28.000 pessoas foram mortas desde que Calderón assumiu o poder, em dezembro de 2006, e lançou operações com policiais e militares para combater esses grupos.

Os narcotraficantes usam, há vários anos, vídeos sangrentos para enviar mensagens a seus rivais e às forças de segurança, mas tornaram-se mais comuns nos últimos meses à medida que aumenta a escalada de violência no país, segundo especialistas e a polícia.

O formato dos vídeos é com frequência o mesmo: pessoas presas, muitas delas ensanguentadas após agressões, com os olhos vendados num lugar desconhecido.

Rodeados de seus sequestradores fortemente armados que usam balaclavas e respondendo a perguntas de uma voz fora de câmera, os reféns são forçados a confessar lealdade aos cartéis ou a corrupção de funcionários. Muitos são assassinados na frente da câmera.

Os vídeos mais explícitos, quando são detectados, são retirados dos maiores sites da Internet, mas permanecem nos chamados "narco-blogs", administrados por anônimos.

"A mensagem, em geral, é dizer aos grupos antagônicos: tenham medo", disse María Guadalupe Licea, diretora de Serviços Periciais da Promotoria do Estado de Baja California, onde está a violenta cidade de Tijuana.

Autoridades dizem que os vídeos não são muito úteis para encontrar os narcotraficantes.

(Reportagem adicional de Lizbeth Díaz em Tijuana)

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