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04/08/2010 - 15h14

Itália pode ter eleições ainda neste ano, diz ministro

Por Silvia Aloisi

ROMA (Reuters) - A Itália pode ter eleições antecipadas ainda neste ano por causa do rompimento entre o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e um importante aliado, disse nesta quarta-feira o ministro do Interior, Roberto Maroni.

O presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, que rompeu com Berlusconi na semana passada, poupou o primeiro-ministro de um confronto direto nesta quarta-feira ao permitir que um vice-ministro sobrevivesse a uma moção de desconfiança no Parlamento.

Mas os seguidores de Fini mostraram sua força ao se absterem da votação, deixando claro que teriam votos suficientes para derrubar o governo se quisessem.

Maroni, do partido Liga Norte, que agora é o principal parceiro da coalizão de Berlusconi, disse que o governo estabelecido há dois anos está "navegando sem bússola" depois da cisão da semana passada.

A instabilidade política ocorre num momento em que os mercados financeiros se perguntam se o governo será suficientemente forte para implementar um pacote de austeridade de 25 bilhões de euros, aprovado na semana passada pelo Parlamento para conter o déficit público.

Mas o ministro da Economia, Giulio Tremonti, disse à Reuters que "a crise política, se acontecer, não terá impacto sobre as contas públicas italianas". Ele também descartou a necessidade de mais cortes orçamentários nos próximos meses.

Fini, cofundador do partido Povo da Liberdade (PDL), de Berlusconi, criou uma facção autônoma no Parlamento, o que pode privar Berlusconi da maioria. A moção contra Giacomo Caliendo, vice-ministro da Justiça, teria sido aprovada com 5 votos de sobra se a bancada de Fini e membros de três pequenos partidos --75 deputados no total-- não tivessem se abstido.

Caliendo é suspeito de ligação com um grupo secreto que teria tentado influenciar a nomeação de juízes, o que ele nega.

TRÉGUA NO VERÃO

O tradicional recesso parlamentar de verão, no hemisfério norte, deve propiciar uma trégua até setembro, mas, depois, a situação não está nada clara. As eleições italianas habitualmente são realizadas no segundo trimestre, mas Maroni disse que nada impede o país de votar antes.

"Se o barco bater nas rochas, voltamos às urnas", afirmou ele ao jornal Corriere della Sera. "Sei que não há precedentes na realização de eleições no outono (boreal), mas elas não devem ser descartadas diante de uma séria crise política", acrescentou.

Maroni reiterou ainda a contrariedade da Liga Norte com a possibilidade de que o presidente Giorgio Napolitano tente identificar uma nova configuração parlamentar como base para um governo interino até as eleições previstas para 2013.

Berlusconi também seria favorável a eleições antecipadas caso perca a maioria.

Se um governo cai e o presidente da Itália não encontra alguém que consiga formar nova maioria, ele pode dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas --geralmente, num prazo de dois meses.

(Reportagem adicional de Giuseppe Fonte e Roberto Landucci)

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