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05/08/2010 - 17h39

Incêndios na Rússia ameaçam instalações nucleares; 50 mortos

Por Amie Ferris-Rotman

MOSCOU (Reuters) - O governo russo afirmou nesta quinta-feira que os piores incêndios florestais em quase quatro décadas representam uma ameaça às instalações nucleares do país se o fogo não for contido. O número de mortos subiu para 50 e as chamas continuam a se espalhar.

A pior onda de calor em mais de um século deve intensificar-se nesta sexta-feira, já que estão previstas temperaturas de 40 graus Celsius até a semana que vem, disseram meteorologistas.

O primeiro-ministro Vladimir Putin anunciou a proibição da exportação de grãos e de produtos feitos com grãos, de 15 de agosto até dezembro, e seu porta-voz afirmou que essas medidas também serão aplicadas sobre os contratos em vigor.

O ministro das Emergências, Sergei Shoigu, disse que o calor causado pelos incêndios na região de Bryansk, que ainda sofre os efeitos da contaminação nuclear do desastre de Chernobyl, 20 anos atrás, poderia liberar para a atmosfera partículas radioativas nocivas.

"Na eventualidade de um incêndio lá, radionuclídeos poderiam se desprender para o ar com partículas de combustão, resultando em uma nova zona de contaminação", disse na TV estatal, sem entrar em detalhes.

Shoigu acrescentou que dois incêndios já despontaram na região de Bryansk, cerca de 400 quilômetros a sudoeste de Moscou, mas foram rapidamente contidos.

Incêndios em florestas e turfa destruíram centenas de casas, deixando milhares de pessoas desabrigadas no pior verão desde que as temperaturas começaram a ser registradas no país, 130 anos atrás, o que levou as autoridades a declararem estado de emergência em sete das regiões mais afetadas.

A área atingida pelo fogo aumentou em um dia de 1.174 para 1.216 quilômetros quadrados, segundo o Ministério das Emergências.

A ministra da Saúde, Tatyana Golikova, afirmou em uma reunião governamental que 44 pessoas haviam morrido nos incêndios em todo o país e outras seis em hospitais, o que elevou a cifra de mortos para 50, duas a mais que no dia anterior.

As temperaturas em Moscou chegaram a 36 graus, mas uma mudança na direção dos ventos aliviou a situação na capital, removendo a fumaça tóxica que encobria a cidade.

Putin prometeu casas novas para as cerca de 2 mil pessoas que perderam suas residências nos incêndios. A quantia generosa, de 2 milhões de rublos (66.980 dólares por moradia, incluindo muitas que tinham pouco valor de mercado), fez muitos russos dizerem desejar que suas casas também tivessem sido queimadas.

A compensação é parte de uma série de medidas populistas do governo desde a intensificação dos incêndios na semana passada para tentar evitar danos negativos nas eleições parlamentares e presidenciais nos próximos dois anos.

(Reportagem adicional de Alexei Anishchuk)

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