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05/08/2010 - 13h42

Premiê do Peru tenta encerrar protesto contra exportações de gás

Por Terry Wade

LIMA, 5 de agosto (Reuters) - O primeiro-ministro do Peru, Javier Velásquez, exortou na quinta-feira centenas de peruanos que se opõem às exportações de gás natural a parar de sabotar um gasoduto pertencente a empresas estrangeiras, num momento em que o presidente Alan García enfrenta uma nova onda de conflitos em torno dos recursos naturais do país.

Manifestantes na região de Convención, 460 quilômetros ao sul de Lima, incendiaram parte de um campo de trabalho, cortaram um cabo de fibra ótica que ajuda a controlar os fluxos de gás, apedrejaram policiais e chegaram a tomar dois operários como reféns, anunciou o consórcio que administra o oleoduto.

O gás ainda está fluindo, mas o fornecimento de eletricidade a um terço do país está em risco, porque gás do oleoduto alimenta geradores no sul do Peru, disse o primeiro-ministro.

"Isto é muito grave", afirmou Velásquez na rádio RPP. "Iremos à mesa de negociações, mas apenas se cancelaram o protesto. Rejeitamos os atos de violência e temos que manter o contrato de exportação."

Manifestantes se mobilizaram esta semana contra as exportações do combustível, temendo que elas levem à escassez de energia no país no futuro. O governo diz que o gás dos poços próximos ao local dos protestos não está sendo exportado e que o combustível exportado vem de outros pontos do Peru.

Alan Garcia, que se esforçou muito para atrair investimentos estrangeiros, diz que não há riscos de faltar gás. Embora o crescimento econômico tenha aumentado durante seu mandato, sua presidência vem sendo prejudicada por explosões de violência grave em torno de projetos de mineração e exploração petrolífera.

O Peru é importante exportador mundial de metais e uma das áreas de maior interesse de companhias petrolíferas, que vêm fazendo perfurações em busca de petróleo.

A primeira planta de exportação de gás natural da América do Sul foi aberta em junho, e a maioria das empresas de gás que atuam no Peru faz parte de consórcios que extraem, transportam e exportam o combustível. Elas incluem a Repsol-YPF, a Hunt Oil, sediada nos EUA, a argentina Pluspetrol, a sul-coreana SK Energy e a japonesa Marubeni.

Velásquez vem procurando retratar os protestos como manobra política da oposição, no período que antecede as eleições regionais marcadas para este ano e as eleições gerais de 2011.

O governo também procura controlar um protesto na selva contra a erradicação das plantações de coca. O Peru é o maior produtor mundial da planta, da qual é produzida a cocaína. Agricultores que se opõem à erradicação entraram em choque com a polícia na terça-feira, e pelo menos um manifestante foi morto.

(Reportagem adicional de Patricia Velez)

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