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05/08/2010 - 10h00

Referendo no Quênia aprova Constituição, diz apuração parcial

Por Richard Lough

ELDORET, Quênia (Reuters) - Os quenianos aprovaram sua nova Constituição em um referendo pacífico, que pode remoldar a paisagem política da maior economia da África Oriental, segundo resultados parciais divulgados na quinta-feira.

Depois de apurados os votos de cerca de metade dos 210 distritos eleitorais do país, a autoridade eleitoral disse que 67 por cento dos eleitores disseram "sim" à nova Carta, e que dificilmente o resultado poderá ser alterado.

Os principais jornais não parecem ter dúvidas. "Quênia diz sim" e "É sim" foram as manchetes dos dois principais jornais. Os partidários da nova Constituição já declararam vitória no decorrer da quinta-feira.

"O bravo povo do Quênia falou com uma voz atroadora", disse o ministro da Energia, Kiraitu Murungi. "Dizer que vencemos é pouco. O Quênia renasceu."

O referendo, dois anos depois das acusações de fraude eleitoral que desencadearam uma onda de violência com 1.300 mortos, fortaleceu o xelim em relação ao dólar e fez a Bolsa local manter sua trajetória recente de alta.

"A confiança era uma exigência essencial para uma guinada econômica, e o transcurso tranquilo da votação deveria servir muito para salientar isso", disse Razia Khan, economista especializado em África no Standard Chartered Bank.

Após anos de eleições turbulentas, a Constituição é vista como um passo importante para evitar que se repita a violência tribal ocorrida após o pleito do começo de 2008, que empurrou este país de 40 milhões de habitantes para a beira da anarquia.

As mudanças levadas a voto na quarta-feira permitem maior equilíbrio dos poderes presidenciais, mais atribuições às administrações de base e um aumento das liberdades civis.

O novo marco legal aborda a corrupção, o clientelismo político, a ocupação de terras e o tribalismo, que assolam o Quênia desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1963.

O Quênia tem a quarta maior economia da África Subsaariana, atrás de África do Sul, Nigéria e Angola.

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