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06/08/2010 - 19h13

Grã-Bretanha e Paquistão minimizam atrito diplomático

Por Adrian Croft

CHEQUERS, Grã-Bretanha (Reuters) - A Grã-Bretanha e o Paquistão concordaram na sexta-feira em colaborarem mais no combate à militância islâmica, minimizando o atrito diplomático provocado por uma declaração do primeiro-ministro David Cameron sugerindo haver conivência de Islamabad com grupos terroristas.

Cameron disse semana passada, durante visita à Índia - arquirrival do Paquistão - que Islamabad deveria parar de "olhar para os dois lados" no combate aos grupos militantes.

A frase irritou os paquistaneses e está pairando sobre a atual visita de cinco dias do presidente Asif Ali Zardari à Grã-Bretanha.

Mas, durante encontro na residência oficial campestre de Chequers, a noroeste de Londres, os dois governantes buscaram ressaltar os aspectos positivos da sua relação. "Tempestades virão e tempestades passarão, e o Paquistão e a Grã-Bretanha permanecerão juntos e enfrentarão as dificuldades com dignidade", disse Zardari.

Cameron falou de uma "inquebrantável amizade (...) baseada nos nossos interesses mútuos".

Eles fizeram rápidas declarações públicas e não responderam a perguntas de jornalistas. Zardari vem sendo criticado em seu país por viajar à Europa enquanto o Paquistão já registra mais de 1.600 mortos por causa das enchentes.

Numa entrevista à BBC, Zardari disse que ele e Cameron conversaram sobre as declarações feitas na Índia "como dois adultos (...), e falamos de (coisas) positivas."

Cameron fez suas declarações dias após o site WikiLeaks divulgar relatórios militares norte-americanos sobre as suspeitas de que a agência de Inter-Serviços de Inteligência do Paquistão teria ajudado militantes do Taliban no Afeganistão, onde a Grã-Bretanha tem 9.500 soldados.

Zardari negou que a agência tenha o apoio ao Taliban como política oficial. "Eu não iria tão longe. (Os relatórios) foram desmerecidos por todo mundo, a maior parte era boato."

Ele disse que o Paquistão já perdeu "mais soldados do que todo o (resto do) mundo junto" na luta contra os militantes. "Eu perdi minha esposa (a política Benazir Bhutto, assassinada por militantes), meus amigos pessoais, então não acho que ninguém tenha dúvidas sobre nossas intenções nesta guerra, mas pode sempre haver fraquezas que precisam ser fortalecidas (...). O Paquistão precisa de mais recursos."

Cameron e Zardari divulgaram nota prometendo intensificar a cooperação contra o terrorismo e fortalecer as relações comerciais, e o primeiro-ministro britânico aceitou um convite para visitar o Paquistão.

Depois da reunião com Zardari, Cameron conversou por telefone com o presidente dos EUA, Barack Obama, sobre o Afeganistão e o Paquistão.

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