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09/08/2010 - 16h01

Linfoma de Lugo é curável com tratamento, diz médico

Por Mariel Cristaldo e Daniela Desantis

ASSUNÇÃO (Reuters) - O linfoma diagnosticado no presidente paraguaio, Fernando Lugo, é tratável com quimioterapia e tem um grau baixo de malignidade, disse nesta segunda-feira um de seus médicos, enquanto o mandatário cumpria sua agenda e preparava uma viagem a São Paulo para exames mais específicos.

O diagnóstico inesperado do presidente de 59 anos -- que pôs fim a mais de seis décadas de governo conservador no país -- causou um rebuliço político pela possibilidade de ele não concluir o mandato de cinco anos em 2013.

Mas especialistas independentes consultados pela Reuters disseram que os pacientes com essa doença têm uma alta probabilidade de levar adiante uma vida normal, embora o tratamento possa afetar a rotina de trabalho de Lugo.

A ministra da Saúde, Esperanza Martínez, confirmou que estudos realizados nos Estados Unidos em amostras de um gânglio extraído na semana passada do presidente indicaram que o tipo de linfoma que o afeta é o de baixo grau de malignidade, o que "aumenta o otimismo sobre seu tratamento e cura".

"A primeira informação, que ainda não tenho por escrito, é que confirmou o diagnóstico de que é um linfoma não Hodgkin de baixo grau de malignidade, o que por sorte dá um prognóstico muito bom", disse Martínez ao canal Telefuturo, de Assunção.

"Os (linfomas) que são de baixo grau normalmente têm uma evolução lenta no tempo e são mais facilmente curáveis ... é uma notícia muito boa", acrescentou.

Horas antes, o hematologista Alfredo Boccia, porta-voz da equipe médica de Lugo, disse que a doença se encontrava em um estado mais avançado do que o anunciado inicialmente, porque afetava os gânglios em cima e embaixo do diafragma, mas que a doença era tratável com quimioterapia a ser realizada no Paraguai.

"É difícil que um linfoma não Hodgkin esteja em apenas um gânglio. Esse tipo de linfoma, em 80 por cento dos casos, está em estágio avançado, mas essa classificação não define o prognóstico", explicou Boccia.

"O importante é o tipo de célula que prolifera porque algumas são mais benignas ou de crescimento lento e outras, mais resistentes à quimioterapia", acrescentou.

LUGO VIAJA A SÃO PAULO

Em princípio, Lugo teria de se submeter a seis sessões de quimioterapia a cada três semanas, tratamento que, segundo Boccia, é menos agressivo que em outros tipos de cânceres e o permitiria até mesmo a tomar decisões vinculadas ao exercício do cargo durante seu desenvolvimento.

Na terça-feira, Lugo viajará a São Paulo, onde realizará exames no Hospital Sírio-Libanês para obter um diagnóstico mais detalhado, verificar se há outros nódulos e tumores e estabelecer a frequência e o tipo de tratamento.

O ex-bispo católico, que completará no domingo dois anos no cargo, irá se submeter a uma tomografia, a uma análise de sangue e biópsia de medula óssea durante a viagem, que irá se estender até a noite de quarta-feira.

Boccia disse que se o tratamento for eficaz, o paciente só poderá ser considerado curado depois de três anos.

No entanto, o oncologista argentino Manuel Garzón disse à Reuters que em geral a doença tem um bom prognóstico quanto à vida do paciente, embora no caso de Lugo possa afetar sua atividade.

"MUITO OTIMISTA"

Lugo cumpriu sua agenda desde a manhã desta segunda-feira, que incluiu reuniões com ministros e empresários. Por volta do meio-dia, foi a uma região de obras em Assunção, onde foi visto animado e de bom humor.

O ministro das Comunicações, Augusto Dos Santos, disse que Lugo se mostrou interessado no tratamento e lançou a ideia de realizar a quimioterapia nos fins de semana para não interromper a agenda oficial.

"Eu o vi muito bem, muito otimista", completou Dos Santos.

Depois do diagnóstico de Lugo, a maioria dos políticos expressou cautela na hora de avaliar o futuro.

"É uma situação muito delicada, mas a institucionalidade da República está assegurada", disse a jornalistas o presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Bogado, da oposição.

O vice-presidente Federico Franco, primeiro na linha de sucessão e que estava de viagem quando Lugo foi diagnosticado, disse que não tiraria proveito da doença.

"Meu compromisso é com o presidente e com o povo paraguaio. O presidente pode ficar tranquilo que eu o cumprirei", disse o liberal, que vive em constante atrito com o presidente, a uma emissora de rádio.

No entanto, o secretário-geral da Presidência, Miguel López Perito, um dos principais colaboradores de Lugo, disse que o mandatário se encontra em perfeitas condições para governar.

"O presidente Fernando Lugo terá seu sucessor, mas em 15 de agosto de 2013", garantiu. "Enquanto não tivermos confirmações dos especialistas, o melhor é deixar de especulações."

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