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09/08/2010 - 22h53

Na TV, Dilma nega inexperiência e destaca ser próxima a Lula

BRASÍLIA (Reuters) - A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, rechaçou nesta segunda-feira as acusações de que é inexperiente para governar o Brasil e destacou sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, a ex-ministra da Casa Civil procurou minimizar a fama de "durona" e comentários --inclusive do próprio presidente-- de que chegou a maltratar ex-colegas de governo.

"Me considero preparada para governar o Brasil... conheço o Brasil de ponta a ponta, conheço os problemas", afirmou Dilma, acrescentando que tem experiência administrativa suficiente porque ocupou "o segundo cargo mais importante na hierarquia do governo federal".

"Fui o braço direito e esquerdo dele (Lula) nesse processo de transformar o Brasil num país diferente, num país que cresce e distribui renda e que as pessoas têm, depois de muitos anos, a possibilidade de subir na vida."

Em resposta aos questionamentos sobre seu temperamento, a ex-ministra alegou que se esforçava para o governo alcançar metas.

"Sou uma pessoa firme. Acho que, em relação aos problemas do povo brasileiro, eu não vacilo", acrescentou.

Na defensiva na maior parte da entrevista, Dilma buscou justificar as alianças com antigos adversários do PT e o desempenho do governo Lula na economia e em setores como o de saneamento básico.

Para Dilma, por falta de experiência administrativa anterior, o PT só descobriu, nos últimos anos, que precisava de aliados para governar o país.

Assim, argumentou, a legenda aceitou o apoio de antigos adversários, como os ex-presidentes e atuais senadores José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL), além do deputado Jader Barbalho (PMDB-AP).

"Quem nos apoia, aceitando os nossos princípios e as nossas diretrizes de governo, a gente aceita do nosso lado. Não nos termos de quem quer que seja, mas nos termos de um governo que quer levar o Brasil para outro patamar", afirmou.

ECONOMIA

A candidata disse que o crescimento do país é menor do que outras economias emergentes e nações vizinhas por conta da situação que o governo Lula herdou de administrações anteriores.

Segundo ela, o Brasil saiu de um estado de "paralisia, desemprego e estagnação" em que havia perdido a "cultura do investimento" e não tinha a inflação sob controle, e, agora, vive uma situação de "prosperidade".

"Tivemos que fazer um esforço muito grande para colocar as finanças no lugar", destacou.

Assegurando que não trata movimentos sociais a cacetete, mas não aceita ilegalidades, ela também lembrou que o Brasil sofreu menos os efeitos da crise financeira internacional do que outros países.

"Meu projeto é dar continuidade ao governo do presidente Lula, mas não é repetir. É avançar e aprofundar, é basicamente esse olhar social."

INFRAESTRUTURA

Mais tarde, em entrevista ao Jornal das Dez, do canal de televisão a cabo Globo News, Dilma rebateu críticas sobre gargalos de infraestrutura.

Ela culpou a falta de investimentos nos últimos 20 anos, mas reconheceu que as obras nos aeroportos deveriam ocorrer de uma forma mais acelerada.

"Não estou contente também com o ritmo das obras. Acho que elas têm que ser muito mais céleres."

Para resolver o problema, disse, seu governo abriria o capital da Infraero, estatal que administra os aeroportos do país, e criaria um marco regulatório para a participação da iniciativa privada no setor.

"Primeiro se abre o capital, cria-se uma gestão profissional na Infraero."

Trocando palavras em algumas respostas, ela reafirmou sua posição de defesa à indicação política para cargos públicos, desde que respeitados critérios técnicos. A ex-ministra também assegurou que defenderá o meio ambiente.

"Não concordo com conivência com o desmatamento nem leniência e flexibilidade com desmatadores", destacou.

Perguntada se sua política externa manteria relações com países acusados de desrespeitar a democracia e os direitos humanos, como Irã, Cuba e Venezuela, a candidata governista disse que defenderá a paz, o diálogo e a integração da América Latina.

"Acho que tem países em que há problemas em relação a direitos humanos", afirmou, sem citar as nações.

(Reportagem de Fernando Exman)

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