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10/08/2010 - 19h26

ENTREVISTA-Lima espera barril em capitalização entre US$7 e US$8

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Haroldo Lima, espera um preço em torno de 7 ou 8 dólares para o barril de petróleo que será usado pela União na capitalização da Petrobras.

Segundo ele, um valor próximo a 5 dólares para as reservas do pré-sal da bacia de Santos seria um preço "muito pequeno", enquanto um valor mais perto de 10 dólares "está fora de cogitação, não está na mesa".

Depois de receber na semana passada a certeza da certificadora Gaffney, Cline & Associates (GCA) de que concluirá a avaliação das reservas no final de agosto, evitando assim um possível novo adiamento na capitalização da estatal, Lima disse que confia na realização da operação em setembro, como previsto.

Ele afirmou ainda que seria bom se o governo aumentasse sua presença no capital da companhia de 32 para aproximadamente 40 por cento, com a compra de sobras da capitalização.

Segundo Lima, eventuais sobras de ações poderiam ser compradas pela União com dinheiro, e não com títulos públicos, que serão usados na parte principal da operação de aumento de capital. O uso de títulos é uma das maiores críticas do mercado à operação, já que a Petrobras precisa de capital para investir no seu Plano Estratégico de 224 bilhões de dólares até 2014.

"Não está no horizonte do governo entrar só com titulo público. A ideia é entrar com títulos e capital", disse Lima à Reuters nesta terça-feira.

O diretor-geral da ANP informou que o governo trabalha com uma capitalização avaliada entre 60 bilhões e 100 bilhões de dólares, "a maior do planeta", e que não vai precisar mais aguardar o resultado da perfuração do poço de Libra para inclui-lo na operação.

O valor do barril será decidido ao final de agosto, em negociação do governo com a Petrobras, que também contratou uma certificadora, que apontaria um preço entre 6 e 6,5 dólares o barril, segundo fontes da empresa.

O preço da Petrobras será usado apenas como referência, segundo Lima, informando que o valor final será dado pela certificadora contratada pela ANP.

"Quem vai dizer é a certificadora, que ainda não falou nada, se ela falasse para mim, eu mesmo ia ficar com pé atrás com ela", afirmou.

FRANCO E LIBRA

O governo tem 32 por cento do capital da companhia e pretende trocar até 5 bilhões de barris de óleo equivalente por ações da Petrobras, a chamada cessão onerosa. Se o preço do barril for de 6 dólares, por exemplo, a parte do governo seria de 30 bilhões de dólares e toda a operação somaria 90 bilhões de dólares. Se atingir 7 dólares, a operação pula para 105 bilhões de dólares, dentro da expectativa do governo.

"Franco já é suficiente, Libra fica para uma futura venda", informou, lembrando que o leilão de áreas do pré-sal dependem da aprovação do marco regulatório do setor pelo Congresso.

"No caso de Libra, vamos ter não indicação, mas comprovação de que vamor ter lá embaixo 5 bilhões, 5,5 bilhões de barris de petróleo", completou.

Com aproximadamente 1 bilhão de barris a mais do que em Franco, o reservatório de Libra será guardado para o primeiro leilão do pré-sal, assim que for aprovado o novo marco regulatório do setor, introduzindo o regime de partilha de produção.

"O presidente Lula queria realizar a primeira rodada do leilão do pré-sal na gestão dele, era o desejo dele, mas isso não foi feito por causa do Congresso Nacional, quem sabe ele pelo menos convoca o edital?", sugeriu.

Ele informou que em um leilão Libra poderia ter um bônus de assinatura em torno dos 12 bilhões de dólares.

"A gente faz cálculo de bônus com a expectativa do que tem lá embaixo, é coisa de 20, 25 bilhões de reais", explicou, dizendo que para facilitar a venda a ANP poderia dividir ao meio ou colocar sistema de condomínio no bloco.

Lima informou que Franco também deverá ter o seu volume estimado para cima pela certificadora, que já sinalizou que o reservatório contém mais do que os 4,5 bilhões de barris divulgados anteriormente.

"Pelo que eu estou percebendo das avaliações, Franco é maior do que os 4,5 (bilhões de barris). Eles devem mudar para mais", disse, referindo-se aos trabalhos de certificação que estão sendo feitos pela GCA, estudos que incluem estimativas para o valor do barril na reserva.

COM SERRA OU DILMA

Garantido por lei a mais um ano e meio no cargo, a não ser que renuncie, Lima não soube informar se o governo conseguirá fazer um leilão com áreas fora do pré-sal ainda este ano, o que seria a 11a rodada da ANP, mas afirmou que pelo menos o edital vai sair ainda em 2010, após as eleições.

"O acerto é que eu continue no cargo qualquer que seja o presidente, a não ser que eu renuncie", disse o ex-deputado pelo PCdoB.

"Se o Serra ganhar, e acho que essa hipótese não existe, mas se Serra ganhar eu incontinente vou pedir uma audiência com ele para explicar o novo marco", disse o executivo que informou conhecer o candidato do PSDB há 40 anos e que tem certeza que ele entenderia que a partilha é melhor para o Brasil.

Lima não soube estimar quando a agência deverá divulgar novas regras para a segurança operacional do setor que se fizeram necessárias após o acidente da BP no Golfo do México. Ele descartou no entanto qualquer semelhança com o risco do pré-sal brasileiro.

"Não pode vestir a carapuça de que se aconteceu lá nós estamos sobressaltados... nós não estamos sobressaltados... já furamos 80 poços no pré-sal sem nenhum problema grave", afirmou Lima, que vai esperar o relatório sobre o vazamento no Golfo para tomar eventuais medidas.

Também depende desse relatório a decisão sobre a transferência de ativos da Devon no Brasil para a BP, após uma transação entre as duas companhias feita em abril deste ano.

"Vamos levar em conta que essa mesma empresa (BP) está enfrentando um problema gravíssimo no mundo, e não vamos nos precipitar a achar que têm vários problemas lá mas que aqui não tem problemas", disse o diretor.

"Isso significa que vai ter um certo atraso, e antes de resolver esse problema do Golfo do México nós não vamos dizer que a BP tem amplas condições de entrar em águas profundas do Brasil através dessa cessão de direitos", completou.

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