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10/08/2010 - 17h32

Fed toma medidas adicionais para impulsionar economia

Por Pedro da Costa e Mark Felsenthal

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve tomou medidas adicionais para reduzir o custo dos empréstimos, em meio à frágil recuperação da economia, anunciando nesta terça-feira que usará recursos provenientes de ativos hipotecários que estão vencendo para comprar mais dívida pública.

A decisão de investir os rendimentos oriundos dos mais de 1,3 trilhão de dólares em títulos atrelados a hipotecas que já detém representa uma mudança significativa de política. Há apenas alguns meses, o banco central debatia uma estratégia de retirada dos estímulos dados à economia durante a crise financeira.

O Fed também manteve a taxa básica de juro no intervalo entre zero e 0,25 por cento e renovou o compromisso de mantê-la em nível baixo por um período prolongado, conforme esperado.

"Para ajudar a dar suporte à recuperação econômica em um contexto de estabilidade de preços, o comitê vai manter constante o volume de títulos em seu poder nos atuais níveis, ao reinvestir o principal da dívida de agências e ligada a hipotecas em títulos de prazo mais longo do Tesouro", informou o Fed em comunicado.

A medida foi um pouco surpreendente. Embora muitos analistas e investidores já esperassem que o Fed anunciaria uma operação assim, a maioria achava que a autoridade monetária compraria mais dívida ligada a hipotecas em vez de títulos do governo.

Alguns analistas acreditam que o Fed vai acabar tendo que ir ainda além nos próximos meses, e reiniciar o programa de compra completa de ativos.

No comunicado ao final da reunião de um dia, os membros do Fed ofereceram uma visão mais pessimista sobre a economia, dizendo que a recuperação da produção e do emprego "tem desacelerado nos últimos meses". Ao fim do encontro de junho, o Fed afirmara que a recuperação estava "em curso".

Pela quinta reunião seguida, o presidente do Fed de Kansas, Thomas Hoenig, discordou da decisão do Fed de prometer juro baixo por um longo período. Hoenig está mais otimista sobre a economia que seus colegas, avaliando que ela está "se recuperando modestamente".

RECUPERAÇÃO EM RISCO

Os dados têm se mostrado bastante fracos desde o último encontro do Fed. O gasto do consumidor desacelerou e o setor manufatureiro parece estar perdendo fôlego. A taxa de desemprego permanece em 9,5 por cento.

Com o juro básico nos Estados Unidos já praticamente em zero, o BC norte-americano ficou sem muitas opções de política de alívio monetário. Embora a decisão de reinvestir recursos que, de outro modo, sairiam de seu balanço seja um movimento pequeno, pode abrir a porta para medidas adicionais no futuro.

Outras opções incluem reduzir a taxa paga a bancos que mantêm suas reservas excedentes junto ao banco central, atualmente em 0,25 por cento. Também poderia relançar seu programa de compra de bônus se sentir que a recuperação está parando.

Essa política, no entanto, não estaria livre de riscos. Poderia expor o banco central a acusações de que está imprimindo dinheiro para ajudar a financiar o enorme déficit orçamentário do governo, algo que as autoridades do Fed disseram que nunca fariam.

A ideia por trás de mais compras de ativos é evitar que um ciclo deflacionário e de consumo deprimido tome forma. Os preços ao consumidor desconsiderando alimentos e energia subiram apenas 0,9 por cento em 12 meses até junho, ficando pelo terceiro mês no nível mais baixo desde janeiro de 1966.

Um estudo do Fed de San Francisco divulgado na segunda-feira concluiu que há uma chance significativa de a economia voltar à recessão nos próximos dois anos. Uma pesquisa mensal com economistas apontou que 55 por cento acreditam que o Fed vai tomar mais medidas para dar suporte ao crescimento nos próximos 12 meses.

(Com reportagem adicional de David Lawder)

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