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13/08/2010 - 09h51

Eleição antecipada afetaria economia italiana, diz presidente

Por Gavin Jones

ROMA (Reuters) - O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, deixou claro nesta sexta-feira que, apesar das profundas divisões na atual coalizão de governo, tentará evitar a convocação de eleições antecipadas, por causa do dano que isso poderia causar à economia.

O chefe de Estado é a única pessoa com poder para dissolver o Parlamento e suas palavras prenunciam um conflito com o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que deseja ir às urnas caso não consiga superar as diferenças internas, depois do recesso parlamentar de agosto.

Numa rara entrevista ao jornal esquerdista Unita, Napolitano, de 85 anos, disse que os recentes sinais de recuperação econômica precisam ser consolidados e fortalecidos com políticas adequadas.

"Ao invés disso, se rumarmos para um vazio político e para uma disputa eleitoral acirrada, pergunto quais seriam as consequências para o país", afirmou.

Berlusconi e o presidente, um ex-comunista, têm habitualmente relações tensas. Na entrevista Napolitano pareceu tomar partido de Gianfranco Fini, líder da facção dissidente na coalizão de governo.

Desde o rompimento com Fini, no mês passado, Berlusconi perdeu a maioria parlamentar.

Napolitano disse que, se o governo cair, irá "dar todos os passos que a Constituição exige", num claro sinal de que não cederá às pressões para dissolver o Parlamento. Pela Constituição, em caso de queda do governo o presidente deve tentar encontrar uma maioria alternativa para governar até a próxima eleição, prevista para 2013.

Analistas dizem que, se as eleições forem antecipadas, Berlusconi deve vencer. A Liga Norte, principal partido aliado do premiê conservador, também deseja antecipar a votação.

Fini tem sido alvo de ataques de veículos de comunicação ligados a Berlusconi. O Il Giornale, pertencente ao irmão do premiê, vem publicando um abaixo-assinado pela renúncia dele do cargo de presidente da Câmara dos Deputados.

Napolitano disse que os ataques são inaceitáveis. "É hora de acabar com uma campanha gravemente desestabilizadora para deslegitimar o presidente de uma das Casas do Parlamento", afirmou.

O conflito entre Berlusconi e Fini provavelmente terá um desenlace no mês que vem, quando Berlusconi pretende pedir um voto de confiança do Parlamento a respeito de uma série de políticas públicas. Ele terá de renunciar se não conseguir suficientes votos no Parlamento.

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