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16/08/2010 - 22h17

Ainda cabe "gestão" do Brasil para salvar iraniana, diz Garcia

BRASÍLIA (Reuters) - O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse nesta segunda-feira que ainda cabe "gestão" do Brasil para salvar uma mulher iraniana condenada à morte por apedrejamento e que o episódio deve ser tratado como "questão política".

Sakineh Mohammadi Ashtiani foi sentenciada à morte por um relacionamento extraconjugal. O governo brasileiro chegou a formalizar ao Irã que estava disposto a abrigá-la, mas nesta segunda-feira o presidente Mahmoud Ahmadinejad negou a oferta em entrevista à TV iraniana.

"Se nós acreditássemos que não ia adiantar, não estaríamos insistindo, porque nós achamos que há uma chance", disse Garcia depois de um evento no Itamaraty.

"Esta não é uma questão jurídica, filosófica, teológica, essa é uma questão política, portanto ela tem que ser tratada pelo governo do Irã como política."

No entanto, outra fonte do governo, que pediu anonimato, disse à Reuters que não vê mais abertura para nenhuma gestão do Brasil no caso.

Irã e Brasil se aproximaram neste ano, após os governos brasileiro e turco mediarem uma proposta de acordo sobre os trabalhos de enriquecimento de urânio iraniano, que o Ocidente teme ser um disfarce para o desenvolvimento de uma bomba atômica.

Teerã nega essa acusação e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

CONSEQUÊNCIAS

Depois que Ahmadinejad rejeitou a oferta do governo brasileiro de receber Sakineh, a embaixada do Irã em Brasília divulgou uma nota contestando as consequências da oferta de asilo.

A representação diplomática enfatizou que além do adultério, a iraniana foi processada e presa também pelo homicídio contra seu marido, sendo esse o "crime principal" dela.

"Quais são as consequências desse tipo de tratamento com os criminosos e assassinos? Será que esse ato não promoverá e não incentivará criminosos a praticar crimes?", disse o comunicado.

A embaixada também questiona se "a sociedade brasileira e o Brasil têm que ter, no futuro, um lugar dos criminosos de outros países em seu território".

A sentença imposta a Sakineh despertou protestos de grupos de defesa dos direitos humanos e grande indignação internacional.

Assassinato, adultério, roubo armado, renúncia ao Islã e tráfico de drogas são crimes puníveis com a pena de morte pela lei islâmica do Irã, implementada desde a Revolução de 1979.

(Reportagem de Natuza Nery e Maria Carolina Marcello)

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